Um levantamento do Ministério da Saúde (MS) aponta que 36,9% dos brasileiros com mais de 50 anos convivem com dores crônicas no dia a dia. O estudo também indica maior frequência do quadro entre mulheres, pessoas de baixa renda e indivíduos com diagnóstico de artrite, dores nas costas ou na coluna, sintomas depressivos e histórico de quedas e hospitalizações.
Dores e inchaço nas articulações também estão entre os sintomas mais comuns das doenças reumáticas, que, quando não diagnosticadas e tratadas de forma adequada, podem levar à incapacidade física, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). As doenças acometem ossos, articulações, cartilagens, músculos, tendões e ligamentos e, em alguns casos, rins, coração, pulmões, pele e sistema nervoso central.
A Dra. Sarah Neaime, médica reumatologista com atuação em doenças reumatológicas, articulares e autoimunes, explica que a dor crônica persiste — por mais de três meses — e não apresenta melhora com tratamentos como analgesia simples, fisioterapia e repouso. Segundo ela, a condição pode ter origem inflamatória — melhora ao se movimentar, causa rigidez pela manhã e às vezes acorda o paciente à noite — ou mecânica — piora ao se movimentar e melhora ao ficar em repouso.
"Outros fatores associados à dor devem ser observados pelo especialista, como fadiga intensa, febre, perda de peso não intencional, lesões de pele não habituais, aftas na boca com frequência, perda de força e formigamento no local acometido ou ainda se há alterações do sono e do humor associados", acrescenta a médica.
A reumatologista ressalta que, devido à origem complexa e multifatorial da dor crônica, o diagnóstico correto depende de uma investigação detalhada para identificar se há correlação com alterações em outros órgãos e se está relacionada a doenças de origem autoimune, inflamatórias ou de origem central: "É preciso avaliar histórico familiar, contexto social e psicológico, análise de história clínica, exame físico completo e exames complementares direcionados para a queixa".
De acordo com a SBR, entre as doenças reumáticas mais comuns estão a artrose, fibromialgia, osteoporose, gota, tendinite, bursite, lúpus eritematoso sistêmico (LES), lombalgias, espondiloartrites e artrite reumatoide. A osteoartrite acomete cerca de 18% das mulheres e 10% dos homens com mais de 60 anos, além de representar de 30% a 40% das consultas em ambulatórios de reumatologia. A doença também é responsável por 7,5% dos afastamentos do trabalho no país.
Diagnóstico
A Dra. Sarah Neaime destaca que um diagnóstico correto impacta diretamente na qualidade de vida e na rotina do paciente, porque muda completamente o curso da doença e reduz as chances de deformidades e sequelas. "O diagnóstico certo diminui o sofrimento do paciente que busca respostas às suas queixas, e o tratamento passa a ser direcionado. Por exemplo, em doenças autoimunes, podem ser usados os imunossupressores, e na fibromialgia o foco é na atividade física, ajuste do sono, terapia e uso de neuromoduladores", afirma.
A médica pontua que, na prática clínica, é feita a investigação para diferenciar doenças como artrose, fibromialgia e condições autoimunes. Enquanto a artrose, caracterizada pelo desgaste da articulação, normalmente causa a dor de origem mecânica, a fibromialgia se caracteriza pela dor difusa pelo corpo e pode ficar acompanhada de sono não reparador, labilidade emocional e alterações intestinais.
"O exame físico ajuda na avaliação e os exames de imagem, como raio-X ou tomografia do local acometido, ajudam a definir o grau de acometimento da artrose. Já para a fibromialgia, atualmente não há um exame complementar que defina o diagnóstico da doença. Normalmente, o paciente tem dor à palpação pelo corpo", detalha a especialista.
Segundo a reumatologista, as doenças autoimunes podem causar alterações difusas e exames complementares de inflamação elevados podem mostrar a presença dos autoanticorpos: "É importante ressaltar que o diagnóstico de uma doença não exclui a outra. Um paciente pode apresentar, por exemplo, artrose e fibromialgia ou alguma doença autoimune e artrose".
Tratamento
A especialista enfatiza que explicar ao paciente qual a origem da dor e as opções de tratamento é fundamental, assim como a orientação quanto à importância da atividade física com exercícios de fortalecimento, aeróbico e de alongamento e mobilidade, sempre direcionados por um profissional da área, para o alívio da dor.
"Em pacientes com tendinites e bursites, artrites e artrose, a infiltração é um excelente aliado no alívio imediato da dor e, muitas vezes, acelera o auxílio da atividade física ao tratamento. Na artrose leve a moderada, a viscossuplementação é indicada para melhora da dor e funcionalidade e, muitas vezes, adia o procedimento cirúrgico", revela a Dra. Sarah Neaime.
De acordo com a reumatologista, associado a isso, é direcionado o tratamento medicamentoso, como analgésicos, imunossupressores ou neuromodulares, dependendo da doença. Segundo ela, a terapia não farmacológica, como a psicoterapia, também é uma parte importante da abordagem.
"O acompanhamento permite ao reumatologista identificar o surgimento de possíveis novos sintomas, direcionar o tratamento e, consequentemente, evitar maiores danos causados pela condição tratada. A interrupção do tratamento pode ocasionar reativação da doença, dano estrutural progressivo, complicações sistêmicas silenciosas, cronificação e sensibilização da dor", conta.
A médica orienta não naturalizar conviver com a dor. Segundo ela, dores persistentes, associadas a outros sintomas e que afetam a qualidade de vida, devem ser investigadas o quanto antes. "A busca pelo especialista diminui o uso inadequado de medicamentos sem orientação médica, evita dano estrutural e perda de função, e que algo potencialmente tratável vire um problema crônico e limitante", conclui a Dra. Sarah Neaime.
Para mais informações, basta acessar: https://drasarahneaime.com/
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