O sobrepeso e a obesidade estão associados a influências genéticas, comportamentais, ambientais e médicas, segundo artigo publicado na PubMed Central. A pesquisa aponta que o manejo dessas condições exige um plano de tratamento abrangente, capaz de reconhecer sua natureza crônica e promover benefícios metabólicos a longo prazo.
O estudo também destaca que, nas últimas décadas, diferentes opções terapêuticas passaram a atuar na perda de peso, na regulação do apetite e no gasto calórico, com avanços farmacológicos que ampliaram as possibilidades de tratamento e resultados voltados à melhora de desfechos metabólicos e cardiovasculares em pacientes com obesidade.
A Dra. Kírvia Jácome, médica pós-graduada em nutrologia e fundadora da JK Clinic, concorda que, nos últimos anos, o entendimento da medicina sobre emagrecimento mudou bastante, principalmente devido ao avanço da ciência metabólica e da compreensão de que o corpo humano não funciona de forma isolada ou simplista.
"O aumento dos casos de obesidade resistente mostrou que o modelo tradicional não era suficiente. Hoje sabe-se que o emagrecimento é regulado por um sistema complexo que envolve hormônios, inflamação, microbiota intestinal, sono e até fatores emocionais. A medicina evoluiu de uma visão puramente calórica para uma abordagem integrada e personalizada do organismo", afirma a médica.
De acordo com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), a obesidade aumentou 72% no Brasil entre 2006 e 2019, enquanto o Atlas Mundial da Obesidade 2025 — publicação da Federação Mundial da Obesidade — indica que 31% dos adultos no país vivem com a doença, 68% têm alto Índice de Massa Corporal (IMC 25 kg/m² e acima) e prevê que mais de 119 milhões de adultos brasileiros estarão nesta condição em 2030.
A nutróloga explica que a ideia de comer menos e se exercitar mais não é suficiente para o emagrecimento saudável porque ignora como o corpo responde metabolicamente, e reduzir calorias sem estratégia pode levar à queda do metabolismo, aumento da fome e perda de massa muscular. Segundo ela, o organismo entende isso como uma ameaça e ativa mecanismos de defesa para conservar energia.
"Não é só sobre quantidade de comida ou exercício, mas sobre como o corpo interpreta esses estímulos. Sem equilíbrio hormonal e metabólico, o esforço muitas vezes não gera o resultado esperado. Além disso, já se sabe que a alimentação de baixa qualidade traz um quadro de disbiose intestinal — desequilíbrio na microbiota intestinal —, provocando uma inflamação crônica que estagna qualquer emagrecimento", revela a especialista.
A publicação da Federação Mundial da Obesidade salienta que o aumento global das taxas da doença também está associado a falhas em sistemas de alimentação, saúde, transporte e planejamento urbano, além da permanência de estigmas relacionados à condição. O documento defende estratégias integradas para ampliar a prevenção, o acesso ao cuidado contínuo e a promoção de ambientes mais favoráveis à saúde.
Alterações metabólicas e desequilíbrios hormonais
Segundo a Dra. Kírvia Jácome, alterações metabólicas, como resistência à insulina, inflamação crônica e disfunção mitocondrial, fazem com que o corpo tenha dificuldade em utilizar gordura como fonte de energia, o que favorece o acúmulo de gordura, especialmente abdominal, e reduz a eficiência do emagrecimento. "Além disso, essas alterações aumentam a fome, a compulsão alimentar e a fadiga, criando um ciclo que dificulta a adesão e os resultados, mesmo com esforço consistente", acrescenta.
A médica pontua que os desequilíbrios hormonais mais comuns em pacientes que enfrentam dificuldade para emagrecer são resistência à insulina, alterações nos hormônios da tireoide, excesso de cortisol — relacionado ao estresse, deficiência de testosterona e disfunções nos hormônios sexuais femininos. "Em alguns casos, há desequilíbrio em hormônios reguladores da fome e saciedade, como leptina e grelina. Isso impacta o metabolismo, o apetite, a distribuição de gordura e o nível de energia", completa.
Em dezembro de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma diretriz sobre o uso de medicamentos agonistas de GLP-1 — que reproduzem a ação do hormônio produzido naturalmente pelo intestino — para tratamento da obesidade. Segundo a entidade, a classe de medicamentos atua na regulação da glicemia e do apetite, contribuindo para a perda de peso e para a melhora de desfechos metabólicos.
Acompanhamento médico e programa de emagrecimento
A OMS orienta a associação de terapias com agonistas de GLP-1 a intervenções estruturadas envolvendo alimentação saudável, atividade física regular e apoio de profissionais de saúde para ampliar os resultados do tratamento da obesidade. A entidade enfatiza que o enfrentamento da condição exige estratégias mais amplas, incluindo prevenção, acompanhamento contínuo e políticas públicas voltadas à promoção da saúde.
De acordo com a especialista, os programas de acompanhamento médico estruturados para emagrecimento começam com uma avaliação ampla do paciente, incluindo exames laboratoriais, análise da composição corporal, histórico clínico e investigação completa de rotina, sono e comportamento alimentar. A partir desta análise, é traçado um plano individualizado.
"O programa pode envolver ajustes nutricionais estratégicos, modulação hormonal, melhora da qualidade do sono, controle da inflamação e, quando necessário, uso de medicações específicas. O diferencial está no acompanhamento multidisciplinar contínuo, com ajustes ao longo do processo para garantir eficiência e sustentabilidade dos resultados", conclui a Dra. Kírvia Jácome.
Para saber mais, basta acessar o site da Dra. Kírvia Jácome: https://drakirviajacome.com.br/
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