
A presença de trabalhadores estrangeiros vem crescendo de forma significativa no mercado de trabalho de Santa Catarina. Venezuelanos aparecem com forte participação nas novas contratações, enquanto argentinos também estão entre as principais comunidades de imigrantes que atualmente vivem no Estado.
Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Assistência Social, Mulher e Família apontam que, em maio de 2026, Santa Catarina possuía 219.498 migrantes registrados. Venezuela, Haiti e Argentina aparecem entre os países com maior número de cidadãos vivendo em território catarinense.
O avanço também é percebido no mercado formal. Entre janeiro e maio de 2026, Santa Catarina registrou cerca de 10,2 mil novos empregos com carteira assinada para trabalhadores estrangeiros. Desse saldo, os venezuelanos representaram aproximadamente 43%, seguidos por haitianos, com 23%, e cubanos, com 19%, segundo levantamento citado pela Associação Brasileira de Recursos Humanos de Santa Catarina.
Segundo o Governo de Santa Catarina, mais de 70 mil venezuelanos vivem atualmente no Estado. A comunidade venezuelana é apontada como a maior entre os imigrantes, enquanto argentinos e haitianos também possuem presença expressiva.
A maior parte dos venezuelanos que chega ao Estado está em idade produtiva. Dados estaduais mostram concentração principalmente entre pessoas de 25 a 40 anos, justamente uma faixa etária bastante procurada pelas empresas.
Em Criciúma e demais municípios do Sul catarinense, é cada vez mais comum encontrar estrangeiros trabalhando em supermercados, restaurantes, lojas, construção civil, indústrias, logística e serviços.
O crescimento, porém, não significa necessariamente que estrangeiros estejam retirando empregos dos brasileiros. Entidades empresariais apontam também uma dificuldade de encontrar mão de obra para determinadas funções, fazendo com que empresas recorram cada vez mais à contratação de migrantes e refugiados.
Supermercados e comércio estão entre os segmentos com grande quantidade de oportunidades abertas. Um portal regional de recrutamento consultado recentemente mostrava 144 vagas somente em Criciúma, além de oportunidades em Içara, Nova Veneza, Morro da Fumaça, Forquilhinha e outras cidades do Sul catarinense.
A mudança é significativa. Dados estaduais mostram que o número de trabalhadores estrangeiros com emprego formal em Santa Catarina cresceu fortemente nos últimos anos. Em 2024, cerca de 12,4% das novas vagas formais criadas no Estado até outubro haviam sido ocupadas por trabalhadores de outras nacionalidades.
O cenário mostra uma transformação no perfil da mão de obra catarinense. Venezuelanos possuem participação especialmente forte nas contratações, enquanto argentinos fazem parte de uma das maiores comunidades estrangeiras instaladas no Estado.
Para trabalhadores brasileiros, o aumento da imigração também amplia a discussão sobre salários, qualificação profissional e concorrência por determinadas vagas. Entretanto, pelos dados disponíveis, não é possível afirmar que estrangeiros estejam substituindo brasileiros em massa. Parte significativa das contratações ocorre justamente em setores que relatam dificuldade para preencher seus postos de trabalho.
O resultado é um mercado cada vez mais diversificado, no qual brasileiros, venezuelanos, argentinos, haitianos, cubanos e trabalhadores de outras nacionalidades passam a disputar e ocupar oportunidades em diferentes setores da economia catarinense.