Com o fechamento dos orçamentos de 2027 concentrado entre outubro e novembro em boa parte das empresas, a COO da consultoria Dataside, Letícia Carvalho Amante, recomenda que a verba de inteligência artificial deixe de ser uma lista de ferramentas e pilotos. A proposta é montar uma fila curta, com duas ou três iniciativas, cada uma com indicador de negócio, prazo de retorno esperado e um responsável que responde pelo resultado.
"A linha de IA só nasce de dois jeitos: como custo a justificar ou como retorno a cobrar. A primeira é aprovada no embalo do medo de ficar para trás e cobra o preço doze meses depois, quando alguém pergunta o que voltou", afirma.
A executiva sugere quatro passos para quem ainda está montando a planilha:
1. Diagnóstico antes da lista: a primeira pergunta é do negócio, não da tecnologia — onde a operação perde dinheiro que os dados já registram e quais decisões valeriam mais se fossem tomadas antes.
2. Conta para cada oportunidade: cada iniciativa precisa de uma estimativa de quanto custa, quanto retorna e em quanto tempo. "CFO não aprova entusiasmo. Aprova conta", diz Letícia.
3. Poucas iniciativas, com nome: de 20 ou 30 ideias mapeadas, duas ou três entram no orçamento. As demais ficam documentadas, à espera de que o resultado das primeiras financie as próximas.
4. Prova no primeiro trimestre: retorno prometido para daqui a três anos dificilmente sobrevive a um corte de custos. A recomendação é ter um produto mínimo funcionando e medido ainda nos primeiros meses de 2027.
A COO também chama atenção para três erros frequentes: espalhar a verba em muitas frentes pequenas; confundir indicadores de sistema, como tempo de processamento, com indicadores de negócio, como margem; e esquecer de orçar quem vai sustentar a solução depois que ela entra em produção. "A verba guarda-chuva de inovação merece um olhar honesto. Sem critério de saída, ela vira o esconderijo do piloto que nunca termina", completa.
Sobre a Dataside
A Dataside é uma consultoria brasileira de dados e inteligência artificial, com sede em São José dos Campos (SP). Fundada em 2011, reúne mais de 300 especialistas e atende empresas de indústria, varejo, finanças e saúde. É a primeira empresa brasileira com a especialização avançada em IA da Microsoft, uma das duas parceiras Databricks Select no país e líder em quadrantes do estudo ISG Provider Lens pelo segundo ano consecutivo. Tem certificações ISO 42001, ISO 27001 e ISO 9001.
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