Política Eleição em SC
Um legado de 2022 ainda em cena
Eleição 2026
24/03/2026 09h55
Por: Redação

Santa Catarina em 2026: a batalha pelo Palácio da Casa d’Agronômica e pelas duas cadeiras do Senado

A cada quatro anos o mapa político catarinense se redesenha, mas o próximo pleito tem tudo para ser especialmente decisivo. As Eleições de 2026 vão decidir quem governará o estado, quais dois dos três senadores representarão a população no Congresso e como o tradicional “corte de centro‑direita”‑líder vai conciliar os interesses internos da direita com a pressão nacional de um governo Lula em busca de reeleição.

1. Um legado de 2022 ainda em cena

Em 2022, Jorginho Mello (PL) venceu o segundo turno com 70,79 % dos votos válidos, derrotando o PT Décio Lima (28,24 %) . Essa vitória consolidou o PL como força dominante no estado – o partido elegeu 6 dos 16 deputados federais (37,5 %) e 11 das 40 cadeiras da Assembleia Legislativa (27,5 %) . A composição da Alesc hoje ainda reflete o reforço da direita: PL 11, MDB 6, PT 4, UNIÃO 3, PP 3, PSD 3, PODE 3, PSDB 2, dentre os demais 10 camaristas

2. O duelo pela Casa d’Agronômica

2.1. O candidato de governo

Jorginho Mello ainda não confirmou a candidatura, mas todas as indicações apontam para a reeleição. Pesquisas de domingo e segunda‑feira de dezembro mostram Mello à frente dos cenários analisados, com 41,5 % (cenário 1) e 46,3 % (cenário 2). Sua aprovação institucional gira em torno de 75 % , o que lhe dá margem para buscar a maioria no primeiro turno.

2.2. Principais opositores

2.3. Estratégia de alianças

O PL deverá equilibrar duas pressões: a) manter o apoio de partidos que compõem o governo – União Brasil, Progressistas (PP) e o recém‑formado bloco da federação União Brasil + Progressistas – b) gerir a disputa interna da ala bolsonarista, que tem no filho de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, um forte candidato ao Senado . Essa necessidade de “conciliar interesses” já se traduz em discussões sobre a composição da chapa de vice‑governador e dos dois cargos senatorial.


3. A corrida pelo Senado: duas cadeiras em jogo

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, Esperidião Amin (PP) e Ivete da Silveira (MDB) terão seus mandatos encerrados em 2027, o que abre duas vagas para 2026. Os nomes que já despontam são:

Candidato Partido Observação
Caroline De Toni PL Deputada federal com maior intenção de voto
Carlos Bolsonaro PL Filho de Jair Bolsonaro, indicado pelo ex‑presidente
Esperidião Amin PP Incumbente que confirmou intenção de reeleição
Gilson Marques Novo Deputado federal, também na disputa 
Décio Lima (PT) PT Líder do PT na corrida, espelhando a estratégia para o governo

A disputa está, portanto, entre a ala bolsonarista (Caroline De Toni, Carlos Bolsonaro) e a tradicional direita institucional (Amin, Novo), com o PT tentando ocupar a terceira vaga. O PL ainda não decidiu se formará uma “chapa pura” ou dividirá as duas vagas entre o próprio candidato e Amin.


4. O pano de fundo econômico: agronegócio, turismo e saúde

Esses indicadores compõem o “kit de governo” de Mello: sustentação do agronegócio, expansão do turismo e investimentos robustos na saúde. Para a oposição, a crítica será a concentração de recursos nas áreas rurais e a necessidade de aprofundar políticas públicas nas cidades (habitação, mobilidade, segurança).


5. O conflito interno da direita

O estado tornou‑se um reduto da direita nos últimos ciclos eleitorais, mas a consolidação desse bloco vem acompanhada de “conflitos internos” que dificultam a coordenação de estratégias. A disputa por duas cadeiras senatoriais entre três nomes fortes (Caroline De Toni, Carlos Bolsonaro, Amin) cria risco de fragmentação do voto bolsonarista , ao passo que o PL pode perder influência se não conseguir articular uma aliança que inclua o MDB (Silveira) ou o PP (Amin).


6. Cenários possíveis para 2026

Cenário Governador Senado Comentário
Reeleição de Mello (PL) – vitória no primeiro turno Jorginho Mello (PL) Caroline De Toni (PL) e Esperidião Amin (PP) ou Carlos Bolsonaro (PL) Consolidaria o domínio do PL; Mello precisará pactuar com Amin (PP) para o vice‑governador e aceitar a presença de Bolsonaro no Senado .
Giro de centro‑direita – runoff Jorginho Mello (PL) x João Rodrigues (PSD) Caroline De Toni (PL) + Esperidião Amin (PP) ou Gilson Marques (Novo) Um segundo turno poderia abrir espaço para a bancada do PSD (Rodrigues) e gerar negociação de cargos de vice e senatorial.
Avanço da esquerda – vitória PT Décio Lima (PT) – possivelmente em 2º turno Caroline De Toni (PL) + Gilson Marques (Novo) ou Décio Lima (PT) (senador) O PT alavancaria a agenda de saúde e educação, mas precisaria formar alianças com PSOL/PCdoB para alcançar maioria.
Divisão da direita – múltiplos candidatos Mello ou Rodrigues (sem maioria) – runoff AminCaroline De ToniCarlos Bolsonaro (três candidatos) – segundo turno A dispersão de votos poderia favorecer um candidato de centro‑esquerda (Lima) ou um acordo de coalizão no segundo turno.

7. Conclusão

Santa Catarina entra em 2026 com um eleitorado ainda fortemente alinhado à direita, mas a própria força da direita está em teste. O governador Jorginho Mello tem números de intenção que sugerem boa chance de reeleição, mas sua vitória dependerá de como o PL negociará a aliança com o PP (Amin) e com a ala bolsonarista (Caroline De Toni / Carlos Bolsonaro). Ao mesmo tempo, a disputa pelos dois senadores coloca em risco a unidade da direita: a escolha entre Caroline De Toni (favorecida nas pesquisas) e Carlos Bolsonaro pode definir se o PL consolidará ou perderá sua hegemonia no Senado catarinense.

Para os eleitores, a pauta será menos sobre quem está no palanque e mais sobre qual modelo de desenvolvimento será mantido: um agronegócio reforçado e turismo em alta, mas com desafios de saúde pública e infraestrutura; ou um projeto de governo que privilegie políticas sociais, saúde mental e investimento urbano, como propõe o PT.

Em resumo, 2026 promete ser o teste de durabilidade da hegemonia bolsonarista em Santa Catarina. Se o PL conseguir articular seus diferentes fragmentos, o estado permanecerá como bastião da direita; se a fragmentação prevalecer, a esquerda – ainda que em número reduzido – poderá emergir como força de oposição relevante, moldando a agenda estadual para o próximo quinquênio.