A menopausa marca o fim dos ciclos menstruais e está associada à redução progressiva da produção hormonal ovariana. Embora ondas de calor e suores noturnos estejam entre as manifestações mais conhecidas, essa transição também pode repercutir sobre o sono, a saúde geniturinária, a sexualidade, a massa óssea e a qualidade de vida.
Nesse contexto, diretrizes e documentos de referência publicados nos últimos anos apontam que a terapia hormonal permanece como o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores, para a síndrome geniturinária da menopausa e também para evitar um corpo sarcopênico, ou seja, com perda de massa muscular. Quando bem indicada, ela pode integrar a estratégia de prevenção da perda óssea e da redução do risco de fraturas em mulheres selecionadas.
A indicação, porém, não deve ser tratada de forma padronizada. Sociedades médicas destacam que a decisão terapêutica precisa considerar fatores como idade, tempo desde a menopausa, dose, via de administração, necessidade de progestagênio e histórico clínico, com reavaliações periódicas ao longo do acompanhamento. Em geral, para mulheres com menos de 60 anos ou dentro de 10 anos desde o início da menopausa, e sem contraindicações, a relação entre benefícios e riscos tende a ser mais favorável.
Segundo o médico Gustavo Darezzo, que atua no Instituto Verona, na Barra da Tijuca, a discussão sobre terapia hormonal não deve ficar restrita apenas ao alívio dos sintomas mais conhecidos. "Quando existe indicação adequada, a terapia hormonal pode fazer parte de uma abordagem clínica voltada não só ao controle dos sintomas, mas também à preservação da saúde óssea e da funcionalidade, com impacto relevante na qualidade de vida da mulher ao longo do envelhecimento e tratamento da sarcopenia, que é a perda de massa magra".
Na prática, é recomendado que a abordagem da menopausa vá além da ideia de que essa fase se resume a desconfortos passageiros ou a uma perda inevitável de vitalidade. A tendência atual é tratar o tema com base em evidências, análise individual de riscos e benefícios e acompanhamento contínuo, respeitando as necessidades de cada mulher.
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