A blefaroplastia superior, cirurgia que pode ter finalidade estética ou funcional, corrige alterações nas pálpebras superiores, como excesso de pele, flacidez e bolsas de gordura. A dermatocalase, excesso de pele e músculo das pálpebras, e o esteatoblefaro, proeminência das bolsas de gordura, surgem geralmente a partir dos 30 anos e podem afetar a saúde e a função ocular.
Com o envelhecimento, o acúmulo de pele nas pálpebras pode causar desconforto no dia a dia, dificultar atividades como o uso de maquiagem e, em casos mais avançados, comprometer o campo de visão. A blefaroplastia é indicada para remover esse excesso de pele e pode reduzir o esforço para abrir os olhos, o que contribui para maior conforto visual, de acordo com publicação da Revista Brasileira de Cirurgia Plástica disponível no SciELO Brasil.
A Dra. Érica de Gasperi, médica oftalmologista e especialista em plástica ocular, explica que a ptose palpebral — doença que gera a queda da pálpebra superior além da posição considerada normal — causa perda de campo visual, assim como outras alterações no posicionamento das pálpebras, tanto superior quanto inferior, e a flacidez podem causar irritações oculares e lacrimejamento constante.
"O excesso de pele nas pálpebras superiores e outras condições podem dificultar atividades diárias como dirigir e ler, além de, em alguns casos, a compensação feita pela musculatura da testa pode causar dores de cabeça, tendo impacto direto na qualidade de vida destes pacientes", relata a médica.
Segundo a oftalmologista, os principais sinais de que a blefaroplastia pode ser indicada são a queixa da sensação de peso nas pálpebras — que também pode levar o paciente a elevar as sobrancelhas involuntariamente para compensar, causando dores de cabeça —, a perda de parte do campo de visão — principalmente a visão periférica — e sintomas como ressecamento e irritação ocular.
De acordo com a especialista em plástica ocular, o conhecimento da anatomia ocular é fundamental para obter resultados mais seguros e precisos, além de também permitir uma abordagem individualizada, preservando a identidade de cada paciente, com resultados naturais.
"O conhecimento da anatomia ocular, não só palpebral, é fundamental para evitar complicações oftalmológicas e tratá-las, caso ocorram. As pálpebras protegem os olhos, que são um órgão importante do corpo e uma estrutura complexa e delicada", declara a profissional.
Planejamento e técnicas cirúrgicas
A Dra. Érica de Gasperi ressalta que a avaliação inicial é uma das etapas mais importantes do processo de avaliação pré-operatória. Segundo ela, é neste momento que o especialista compreende a anatomia do paciente, suas queixas, expectativas e, principalmente, o que faz sentido indicar em cada caso.
"Primeiro, é feito um exame oftalmológico completo, para avaliar a saúde ocular e possíveis complicações no intra e no pós-operatório. É importante avaliar a acuidade visual, a avaliação da superfície ocular, a presença de possíveis distúrbios da lubrificação ocular e a posição dos olhos na cavidade orbitária", detalha a oftalmologista.
Conforme conta a médica, em seguida é iniciada a avaliação das pálpebras, analisando o posicionamento — assim como das sobrancelhas —, a qualidade da pele, a presença de excesso, bolsas e sua funcionalidade. Além disso, é analisado todo o contexto de saúde do paciente, história clínica e uso de medicações, para garantir um planejamento seguro.
"Tão importante quanto o exame físico é a conversa. É crucial ouvir o paciente com atenção, entender o que realmente o incomoda e alinhar expectativas de forma honesta. Nem sempre a cirurgia é a melhor indicação; o papel do especialista é justamente orientar com responsabilidade", afirma a Dra. Érica de Gasperi.
A especialista em plástica ocular revela que, atualmente, um conjunto de abordagens é combinado na cirurgia das pálpebras de acordo com cada paciente. Outra tendência apontada por ela é a associação com procedimentos complementares, como laser, peelings ou enxertia de gordura, para melhorar a qualidade da pele.
"É fundamental entender que não existe uma ‘fórmula mágica’ que sirva para todos. O planejamento é sempre personalizado, buscando equilíbrio entre estética e função, e respeitando as características de cada paciente", comenta a médica.
Segundo a Dra. Érica de Gasperi, na blefaroplastia superior, a técnica clássica com retirada de excesso de pele ainda é muito utilizada, mas cada vez mais com um olhar conservador, preservando estruturas importantes. "Em alguns casos, eu também associo reposicionamento de gordura e até ajustes na posição da sobrancelha", acrescenta.
Já na pálpebra inferior, a oftalmologista destaca uma mudança importante nos últimos anos: a priorização da via transconjuntival sempre que possível. De acordo com ela, a medida permite tratar as bolsas de gordura sem cicatriz aparente na pele. "Além disso, o reposicionamento da gordura, em vez da simples retirada, tem sido cada vez mais valorizado, porque ajuda a suavizar a transição entre pálpebra e face, trazendo um resultado mais natural".
A blefaroplastia foi o procedimento cirúrgico estético mais realizado no mundo em 2024, com mais de 2,1 milhões de cirurgias registradas e crescimento de 13,4% em relação a 2023. O Brasil lidera o ranking global da blefaroplastia, com mais de 231 mil intervenções, que representam cerca de 10,9% do total de cirurgias plásticas realizadas no país, ocupando a terceira posição entre os procedimentos mais frequentes, conforme dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS).
A Dra. Érica de Gasperi orienta que, em caso de dúvidas ou receios sobre o procedimento, é fundamental escolher um médico com quem o paciente se identifique e confie, além de esclarecer todas as questões em uma consulta pré-operatória.
Para mais informações, basta acessar o site da Dra. Érica de Gasperi: https://draericadegasperi.com/
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