O Dia Nacional da Tontura, celebrado em 22 de abril, marca o início de uma campanha voltada à conscientização sobre o sintoma. A ação é promovida pela Academia Brasileira de Otoneurologia (ABON) e pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), com atividades previstas entre os dias 22 e 26 de abril.
De acordo com a publicação feita no jornal da USP (Universidade de São Paulo), a tontura está presente em cerca de 30% da população mundial e pode estar relacionada a diferentes causas clínicas, exigindo investigação adequada.
Apesar da associação frequente com labirintite, o termo não descreve a maioria dos casos. "Labirintite é um termo popular utilizado de forma incorreta para se referir a queixas de tontura", afirma Dra. Andréa Pires de Mello. Segundo a especialista, a labirintite é uma condição que corresponde a uma inflamação da orelha interna e é considerada rara.
Na prática clínica, a tontura é entendida como um sintoma que pode ter múltiplas origens. "Existem diversas causas para as queixas de tontura e vertigem, e cada condição terá um tratamento específico", explica Andréa Pires de Mello.
O tema da campanha em 2026 aborda a tontura de origem metabólica. Entre as condições associadas estão diabetes, hipoglicemia, resistência insulínica, disfunções da tireoide, alterações hormonais, anemia, dislipidemias e deficiência de vitaminas.
A orelha interna depende de equilíbrio metabólico constante para seu funcionamento. Por não possuir reservas energéticas, pode ser sensível a alterações no organismo. "Alterações metabólicas podem interferir diretamente no sistema responsável pelo equilíbrio", destaca Andréa Pires de Mello.
Os sintomas mais comuns incluem tontura recorrente, vertigem, sensação de instabilidade, ouvido tapado, pressão na cabeça, zumbido, fraqueza e mal-estar, além do aumento do risco de quedas.
Em muitos casos, a abordagem envolve mudanças no estilo de vida. "Ajustes nos hábitos alimentares e no controle metabólico podem contribuir para a melhora dos sintomas", afirma a especialista.
A campanha também chama atenção para a condução inadequada de casos de tontura. A ausência de avaliação médica pode atrasar diagnósticos importantes. Embora a maioria dos quadros tenha origem benigna, algumas causas podem exigir intervenção imediata, como acidente vascular cerebral, doenças cardíacas, tumores e hemorragias.
Diante desse cenário, a orientação é que a tontura seja investigada de forma criteriosa. "A tontura é um sintoma e precisa de diagnóstico médico para definição da causa e do tratamento adequado", conclui Andréa Pires de Mello.
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