Foto: Divulgação/SED
O Dia da Mulher na Matemática é celebrado nesta terça-feira, 12 de maio, e na rede estadual de ensino de Santa Catarina a contribuição feminina para o desenvolvimento da ciência, da educação e da inovação é fundamental. Professoras têm transformado as aulas de matemática em experiências mais práticas, investigativas e conectadas à realidade dos estudantes por meio de projetos que unem tecnologia, cultura e aprendizagem significativa.
Em Blumenau, na EEB Carlos Techentin, um projeto sobre fractais aproximou os estudantes da geometria, da investigação matemática e da diversidade cultural. Desenvolvida com apoio da Universidade Regional de Blumenau (FURB), a iniciativa envolveu inicialmente turmas do 1º ano do Ensino Médio e, posteriormente, alcançou também estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental.
Os fractais são formas geométricas formadas por padrões que se repetem continuamente, mesmo em diferentes tamanhos, característica chamada de autossimilaridade. Na prática, isso significa que pequenas partes de um fractal possuem aparência semelhante ao todo, estrutura que pode ser observada na natureza, em elementos como flocos de neve, por exemplo.
“Esse projeto pode fazer a diferença no presente e no futuro dos alunos ao promover uma aprendizagem matemática mais significativa, investigativa e contextualizada, despertando o interesse por conteúdos que, muitas vezes, são vistos como abstratos”, ressalta a professora Noelly Susana.
Durante as atividades, os estudantes construíram cartões fractais com dobraduras e recortes, analisaram padrões matemáticos e investigaram relações entre variáveis utilizando conceitos como potenciação, multiplicação de frações e função exponencial. A proposta permitiu que os alunos identificassem regularidades e compreendessem como determinados padrões crescem e se repetem matematicamente.
Além do aprendizado matemático, o projeto também promoveu discussões culturais e étnico-raciais ao abordar a presença dos fractais em culturas africanas e indianas, relacionando a matemática à arte, à organização social e às construções desses povos.
Já no Oeste catarinense, a EEB Galeazzo Paganelli, em Vargem Bonita, desenvolve um projeto de matemática financeira com estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental, utilizando planilhas eletrônicas, gráficos e tabelas para aproximar os conteúdos da realidade dos alunos. A proposta surgiu a partir da percepção de que muitos estudantes apresentavam dificuldades em compreender conteúdos como juros, porcentagens, descontos e investimentos apenas por meio de cálculos tradicionais realizados no quadro.
“A ideia do projeto surgiu da necessidade de tornar os conteúdos de Matemática Financeira mais próximos da realidade dos estudantes. Observamos que muitos alunos apresentavam dificuldades em compreender conceitos como juros, descontos, porcentagens e investimentos apenas por meio de cálculos no quadro”, destaca a professora Fabíola Riboski.
Durante as aulas, os estudantes constroem tabelas, analisam gráficos e realizam simulações financeiras com base em situações do cotidiano e até em dados de seus familiares. A proposta estimula a participação ativa dos alunos e desenvolve habilidades como interpretação de dados, pensamento crítico, autonomia e uso de tecnologias educacionais.
“O principal destaque do projeto é a conexão entre a matemática e a vida real. Os estudantes conseguem perceber a utilidade prática dos conteúdos aprendidos, compreendendo situações financeiras do cotidiano de forma mais consciente e crítica”, completa.
As iniciativas demonstram como a matemática pode ser trabalhada de forma interdisciplinar, criativa e conectada ao cotidiano, tornando a aprendizagem mais significativa e despertando maior interesse dos estudantes. Ao mesmo tempo, os projetos evidenciam o protagonismo das mulheres na educação catarinense, especialmente na construção de práticas pedagógicas inovadoras que inspiram novas gerações dentro e fora da sala de aula.
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