Na próxima quinta-feira, 28 de maio, o mundo marca o Dia Internacional da Dignidade Menstrual, data que busca ampliar o debate sobre acesso à higiene menstrual, saúde pública e desigualdade social. No Brasil, onde milhões de pessoas ainda convivem com dificuldades para acessar itens básicos de higiene durante o período menstrual, o tema segue como um desafio estrutural e uma questão de direitos humanos. Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicam que cerca de 19% das pessoas que menstruam no país não têm recursos para comprar absorventes. Outro levantamento aponta que 37% enfrentam dificuldades de acesso a itens adequados de higiene em escolas ou espaços públicos. Estima-se ainda que mais de 11 milhões de brasileiras vivam algum nível de pobreza menstrual.
Os impactos vão além da saúde. Entre adolescentes, a falta de acesso a absorventes, saneamento e informação adequada contribui para faltas recorrentes às aulas e, em situações mais graves, evasão escolar. O cenário consolidou a dignidade menstrual como pauta ligada à educação, permanência estudantil e combate às desigualdades.
Foi a partir dessa discussão, em sala de aula, que estudantes do ensino médio do pH Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, decidiram transformar a reflexão em mobilização prática. Alunas da unidade organizaram uma campanha de arrecadação de absorventes e itens de higiene íntima, iniciativa que rapidamente engajou professores, famílias e toda a comunidade escolar.
"Como educadores, nosso papel é ampliar a consciência e mostrar que uma experiência cotidiana para muitas meninas pode representar privação para outras jovens da mesma idade, vivendo na mesma cidade", afirma Andrea Ciuffo, diretora pedagógica da unidade e professora de Convivência Ética, disciplina em que a iniciativa surgiu. "Quando a escola trata o tema com seriedade, ajuda a formar repertório crítico e senso de responsabilidade social", acrescenta.
Segundo Andrea, o projeto nasceu a partir de encontros semanais entre estudantes — meninas e meninos — interessados em discutir formas de dar visibilidade ao problema e mobilizar a escola. Mais do que arrecadar produtos, a proposta é posicionar a dignidade menstrual como parte da formação cidadã.
A ação começou com cerca de 20 estudantes percorrendo salas para sensibilizar colegas e arrecadar doações. O movimento, porém, rapidamente ganhou escala.
"Sabíamos que era um problema real, mas, quando estudamos mais, entendemos a dimensão da gravidade", afirmam Melaine Ferreira, 16 anos, e Clara Araújo, 15, duas das alunas à frente da campanha. "O que começou como conscientização entre colegas acabou envolvendo famílias inteiras, que passaram a doar absorventes, escovas de dente e outros itens básicos", enfatizam.
As doações estão sendo destinadas a comunidades próximas ao colégio e mulheres em situação de rua. A experiência também poderá inspirar iniciativas semelhantes em outras unidades da rede.
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