O médico ortopedista Prof. Dr. Gabriel Ferraz Ferreira foi destaque no 22º Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPÉ), em São Paulo, ao conquistar o Prêmio Manlio Napoli com o trabalho científico "Risk Factors for Metatarsal Fracture in Minimally Invasive Hallux Valgus Surgery: A Case-Control Study".
Reconhecido com o 1º lugar na categoria Temas Livres, o estudo reforça a relevância da pesquisa brasileira na área da ortopedia e traz contribuições importantes para a segurança de pacientes submetidos à cirurgia minimamente invasiva para correção de hálux valgo, especialmente entre idosos.
Para o médico, receber o Prêmio Manlio Napoli representa um dos momentos mais importantes de sua trajetória profissional. Ele destaca que o congresso é um dos principais encontros da área e que ser reconhecido pelo corpo científico do evento é extremamente gratificante.
"O prêmio reforça o compromisso que sempre tivemos com pesquisa clínica de qualidade e com a melhoria dos resultados cirúrgicos para os nossos pacientes. É também um reconhecimento coletivo, pois o trabalho só foi possível graças a toda a equipe envolvida", comemora o Prof. Dr. Gabriel Ferraz Ferreira.
Pesquisa surgiu a partir da prática clínica
De acordo com o profissional, a motivação para desenvolver o estudo surgiu a partir de situações observadas na própria rotina clínica. Segundo ele, as cirurgias minimamente invasivas para correção do hálux valgo representam um avanço importante na ortopedia, principalmente por proporcionarem recuperação mais rápida, menor desconforto no pós-operatório e bons resultados para os pacientes.
No entanto, alguns casos de fratura no primeiro metatarso chamaram a atenção da equipe médica por ocorrerem de forma inesperada. "Sentimos a necessidade de identificar quais pacientes estavam mais vulneráveis a essa complicação para poder agir de forma preventiva", relembra.
Realizado entre 2017 e 2024, o estudo acompanhou 370 pacientes submetidos à cirurgia minimamente invasiva para correção de hálux valgo, reunindo a análise de quase 500 procedimentos. Para o ortopedista, o amplo número de casos avaliados foi fundamental para garantir resultados mais consistentes e aprofundar a compreensão sobre os fatores associados às complicações observadas no pós-operatório.
Segundo o especialista, estudos com um volume maior de pacientes permitem identificar padrões com mais segurança e contribuem para tornar os procedimentos cada vez mais precisos e seguros. "A consistência dos resultados em pesquisa clínica está diretamente atrelada ao volume e à qualidade da amostra. Não por acaso, essa casuística expressiva foi determinante para que os achados atingissem o nível de robustez exigido por um periódico de alto impacto como o Bone & Joint Journal", destaca.
Resultados reforçam necessidade de avaliação individualizada
Entre os principais resultados da pesquisa, os especialistas identificaram que pacientes mais idosos e aqueles submetidos à cirurgia nos dois pés ao mesmo tempo apresentaram maior probabilidade de desenvolver fraturas no primeiro metatarso durante o processo de recuperação.
De acordo com o estudo, o risco aumenta progressivamente com a idade e se mostrou significativamente maior em procedimentos bilaterais, reforçando a importância de uma avaliação individualizada para garantir mais segurança aos pacientes.
"Um achado particularmente relevante foi que a densidade mineral óssea — que muitos esperariam ser um preditor importante — não se associou ao risco de fratura. Isso muda a forma como devemos pensar na prevenção dessa complicação e desperta o interesse da comunidade médica porque questiona conceitos pré-estabelecidos", detalha o Prof. Dr. Gabriel Ferraz Ferreira.
Aplicação prática pode ampliar segurança dos pacientes
De acordo com o ortopedista, os resultados da pesquisa têm aplicação direta na prática médica, permitindo que o planejamento cirúrgico seja mais individualizado e seguro. Com a identificação dos perfis de maior risco, os especialistas podem adotar estratégias específicas para reduzir possíveis complicações, como realizar os procedimentos em etapas diferentes, intensificar os cuidados no pós-operatório e adaptar o processo de recuperação de acordo com as necessidades de cada paciente.
"Essa estratificação de risco pré-operatória é exatamente o tipo de ferramenta que eleva a segurança e a qualidade do cuidado cirúrgico", pontua.
Além disso, o médico reforça que a cirurgia minimamente invasiva para hálux valgo revolucionou o tratamento dessa condição nas últimas décadas. Entre as principais vantagens, segundo ele, estão as incisões menores, a menor agressão aos tecidos moles, a redução das complicações relacionadas à cicatrização, a recuperação mais rápida e o retorno precoce às atividades cotidianas.
Ainda de acordo com o especialista, os resultados clínicos e radiológicos são comparáveis ou superiores aos das técnicas convencionais, com alto grau de satisfação dos pacientes. "Hoje, técnicas como MICA e META são amplamente adotadas em centros de referência ao redor do mundo, e o Brasil tem contribuído de forma relevante para o avanço científico nessa área", conclui o Prof. Dr. Gabriel Ferraz Ferreira.
Para mais informações, basta acessar o site https://joanetes.com.br.
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