“Cadê a picanha?”: Júlia Zanatta provoca petistas em Içara, mas dados colocam discurso em contexto
Deputada puxou buzinaço contra Lula em meio a militantes do PT, mas a provocação sobre o preço da carne reacende uma discussão que vai além de uma frase de campanha.
A reta final das eleições ganhou mais um episódio de confronto político neste sábado (3), em Içara, no Sul de Santa Catarina.
A deputada federal Júlia Zanatta (PL), candidata à reeleição, utilizou um microfone para provocar militantes do PT que estavam em uma esquina da cidade com bandeiras do partido.
“Cadê a picanha que o Lula prometeu?”, questionou a parlamentar. Em seguida, chamou motoristas que passavam pelo local para participar de um buzinaço: “Se a picanha não chegou, buzina!”. Alguns veículos responderam com buzinas.
MAS A “PROMESSA DA PICANHA” TEM OUTRO CONTEXTO
A fala usada por Júlia remete à campanha presidencial de 2022, quando Lula afirmou que o brasileiro deveria recuperar condições financeiras para voltar a fazer churrasco, comer picanha e tomar cerveja.
A expressão virou um dos principais símbolos políticos daquela eleição. Checagens posteriores destacaram, porém, que a referência à picanha era utilizada principalmente como símbolo da recuperação do poder de compra, e não como uma promessa de distribuição literal do corte de carne à população.
Isso não elimina o debate sobre o custo dos alimentos, mas coloca a provocação feita neste sábado dentro de um contexto econômico mais amplo.
NÚMEROS MOSTRAM CENÁRIO MAIS COMPLEXO
Dados do IPCA citados em levantamento publicado neste sábado mostram que, entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, o grupo das carnes acumulou alta de aproximadamente 17,75%, enquanto a inflação geral no mesmo período foi de cerca de 17,90%.
No caso específico da picanha, a alta apontada no período foi de aproximadamente 7,81%. Os números mostram que o produto não ficou barato para todas as famílias, mas também indicam que a discussão sobre preços não pode ser resumida apenas à frase utilizada na provocação política.
CLIMA ELEITORAL ESQUENTA EM IÇARA
Durante a manifestação, apoiadores do PT responderam à provocação com bandeiras e gestos enquanto a deputada continuava falando pelo microfone.
Júlia também afirmou que sabe em quem vota e declarou ser “inimiga de quem não gosta de trabalhar”. O vídeo foi registrado e divulgado pela própria equipe da parlamentar nas redes sociais.
O episódio mostra o clima de polarização nas últimas horas antes da votação deste domingo, 4 de outubro.
De um lado, uma provocação política usando uma das frases mais conhecidas da eleição de 2022. Do outro, números econômicos que mostram que a realidade do preço dos alimentos e do poder de compra é mais complexa do que cabe em um buzinaço.
Neste domingo, será o eleitor quem dará a resposta nas urnas.
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