O sistema de TeleSaúde de Criciúma voltou ao centro das reclamações da população após sucessivos relatos de falhas no agendamento de consultas, demora no atendimento e dificuldades para conseguir vagas pelo serviço municipal. O problema já repercute também no meio político, com cobrança formal por explicações sobre o funcionamento da plataforma.
As principais queixas de usuários apontam para um cenário de frustração diária: moradores afirmam que ligam logo no horário de abertura, enfrentam espera na linha e, quando conseguem ser atendidos ou tentam retornar, as vagas já teriam se esgotado em poucos minutos. Em alguns casos, a orientação recebida seria a de tentar novamente no dia seguinte, o que amplia a sensação de desorganização e dificulta o acesso da população ao atendimento básico de saúde.
A situação ganhou repercussão após cobranças públicas por esclarecimentos sobre o sistema. Entre os pontos questionados estão a quantidade de vagas ofertadas diariamente, o tempo real de disponibilidade das consultas, os critérios de priorização de pacientes e a existência — ou não — de mecanismos mais transparentes para reagendamento e fila de espera. A pressão aumentou porque muitos usuários relatam que o problema não seria pontual, mas recorrente.
Além do gargalo no agendamento, outro ponto que preocupa é a dependência de um modelo que, na prática, deveria facilitar o acesso, mas para muitos moradores tem gerado o efeito contrário. Um sistema criado para dar agilidade ao atendimento público acaba sendo visto por parte da população como mais uma barreira entre o paciente e a consulta médica, especialmente para idosos, pessoas com dificuldade tecnológica ou usuários que dependem exclusivamente do telefone para conseguir atendimento.
Diante das críticas, a Secretaria de Saúde de Criciúma já indicou em ocasiões anteriores que estudava reforçar equipes e linhas de atendimento, além da possibilidade de ampliar o modelo com telemedicina por videochamada para clínico geral e pediatria. A promessa é de mais agilidade, mas, até aqui, o que tem prevalecido entre muitos usuários é a insatisfação com a dificuldade de acesso.
O problema local acontece em um momento em que o debate sobre falhas na assistência à saúde também cresce em Santa Catarina. Dados divulgados neste ano mostram milhares de incidentes e notificações relacionados à assistência em saúde no estado, o que reforça a necessidade de sistemas mais eficientes, transparentes e acessíveis para a população.
Em Criciúma, a cobrança agora é para que o município apresente respostas concretas e, principalmente, soluções rápidas. Para quem precisa de consulta, exame ou retorno médico, o que está em jogo não é apenas um problema técnico — é o acesso à saúde pública.
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