De acordo com dados de 2024 da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), principal organização profissional mundial para cirurgiões plásticos estéticos, foram realizadas mais de 17 milhões de cirurgias plásticas e cerca de 20 milhões de procedimentos não cirúrgicos em todo o mundo.
O Brasil lidera o ranking global de procedimentos cirúrgicos, com aproximadamente 2,3 milhões de cirurgias realizadas em 2024, consolidando-se como o país com maior volume desse tipo de intervenção estética.
Além de os números apontarem a cirurgia plástica como uma tendência em ascensão no Brasil, o cirurgião plástico Dr. Guilherme Torreão afirma que há uma busca crescente por tratamentos estéticos que respeitem a naturalidade e a individualidade facial do paciente. Segundo ele, essa procura está relacionada a uma mudança cultural importante: hoje, o paciente deseja parecer melhor, não diferente.
"Há maior acesso à informação, mais senso crítico e também maior exposição digital, o que faz com que a naturalidade e a preservação das características individuais sejam prioridades. O foco deixou de ser transformar e passou a ser refinar e restaurar", explica.
O cirurgião plástico também destaca que o conceito de naturalidade redefiniu os critérios de sucesso dos procedimentos estéticos, que antes eram associados a uma face visivelmente esticada e sem rugas.
"Atualmente, consideramos bem-sucedido o tratamento que devolve contorno, firmeza e viço sem apagar expressões ou alterar traços pessoais. O rejuvenescimento ideal é aquele que não denuncia a cirurgia — apenas transmite aspecto descansado e harmônico", acrescenta.
Técnicas de rejuvenescimento priorizam resultados naturais
Entre os principais tipos de procedimentos que priorizam a naturalidade do rosto, o Dr. Guilherme Torreão destaca o Deep Plane Facelift, uma técnica avançada de lifting facial que atua nas camadas mais profundas da face, especialmente no sistema músculo-aponeurótico superficial (SMAS) e nos ligamentos de retenção.
O especialista informa que, ao liberar e reposicionar esses tecidos em bloco, é possível restaurar o volume e o posicionamento natural da face média e inferior, tratando sulcos profundos, flacidez e perda de contorno mandibular de forma estrutural.
"As principais diferenças em relação às técnicas tradicionais estão no plano de abordagem e no vetor de tração. Enquanto técnicas convencionais atuam predominantemente na pele e no SMAS superficial, o Deep Plane trabalha abaixo dessas estruturas, reposicionando os tecidos de forma mais anatômica e menos tensionada. Isso reduz o risco de aspecto esticado e melhora o rejuvenescimento da região malar e do sulco nasogeniano", contextualiza.
De acordo com o profissional, a atuação em planos profundos proporciona resultados mais naturais, pois respeita a anatomia e reposiciona os tecidos na direção original do envelhecimento, em vez de apenas tracionar a pele.
O cirurgião plástico reforça ainda que esse procedimento é especialmente indicado para pacientes com flacidez moderada a acentuada, queda da face média, sulcos marcados e perda de definição mandibular, geralmente a partir dos 50 anos (embora a indicação seja sempre individualizada).
O facelift tradicional já é um dos dez procedimentos mais procurados no mundo, segundo levantamento da ISAPS. Em 2024, foram realizadas mais de 737 mil cirurgias do gênero globalmente e cerca de 121 mil no Brasil.
Resultados mais duradouros e abordagem estrutural
Em relação à durabilidade, Dr. Guilherme Torreão enfatiza que o Deep Plane tende a oferecer resultados mais prolongados, pois corrige a estrutura de sustentação facial e não apenas a superfície da pele. Segundo ele, embora o processo de envelhecimento continue, a base anatômica reposicionada mantém o benefício estético por um período significativamente maior quando comparado a técnicas mais superficiais.
"O sucesso do procedimento não depende apenas da técnica, mas também da correta indicação, do planejamento individualizado e da execução por um cirurgião experiente em anatomia facial profunda. O Deep Plane não é uma tendência, mas uma evolução técnica baseada na compreensão anatômica e na busca por resultados cada vez mais naturais e seguros", finaliza.
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