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Governo Leite amplia ações de enfrentamento à violência de gênero no sistema prisional

A Polícia Penal, em conjunto com a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS), tem ampliado as ações de enfrentamento à violência de gêne...

05/03/2026 12h18
Por: Redação Fonte: Secom RS
Pozzobom realizou a entrega de um banco vermelho à Delegacia de Polícia Especializada de Proteção à Mulher de Santa Maria -Foto: Mariana Kussler/Ascom SSPS
Pozzobom realizou a entrega de um banco vermelho à Delegacia de Polícia Especializada de Proteção à Mulher de Santa Maria -Foto: Mariana Kussler/Ascom SSPS

A Polícia Penal, em conjunto com a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS), tem ampliado as ações de enfrentamento à violência de gênero no sistema prisional com pesquisa intensiva, grupos reflexivos e produção de bancos vermelhos com mão de obra de pessoas privadas de liberdade. Entre as ações, destacam-se os atendimentos individualizados e os grupos reflexivos de gênero, voltados à responsabilização e à reeducação de homens envolvidos em episódios de violência contra mulheres. A iniciativa conta com um efetivo de cerca de 500 profissionais especializados nas áreas de serviço social e psicologia.

Atualmente, em torno de 13% da população carcerária possui histórico relacionado à violência doméstica — o que representa mais de 6 mil apenados. Para delinear estratégias voltadas à responsabilização dos agressores, à prevenção da reincidência e ao fortalecimento de políticas públicas de intervenção, está em andamento a pesquisa “Sobre Eles – Perfil, diagnóstico e propostas de intervenção: painel de acompanhamento de autores de violência doméstica contra a mulher no sistema prisional do Rio Grande do Sul”. O estudo é financiado por meio do edital Pesquisador Gaúcho da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs).

O titular da SSPS, Jorge Pozzobom, destacou que a compreensão do comportamento do autor agressor é elemento central para a ruptura do ciclo de violência doméstica. “A erradicação do feminicídio exige ações integradas de prevenção, proteção e educação. Inserir os agressores na confecção dos bancos vermelhos é uma estratégia de conscientização e reeducação, que também sinaliza que esses indivíduos estão sob acompanhamento por parte do Estado”, afirmou.

Campanha Banco Vermelho

A Campanha Banco Vermelho, instituída no Brasil pela Lei 14.942/2024, reforça os dispositivos da Lei Maria da Penha e integra as mobilizações do Agosto Lilás. A produção dos assentos é realizada por apenados de diferentes Regiões Penitenciárias e faz parte, também, do projeto Mãos que Reconstroem, que alia trabalho prisional, remição de pena e reflexão sobre a violência de gênero, consolidando-se como uma política pública de caráter contínuo e estruturante no sistema penal gaúcho.

Agressores trabalharam na confecção dos bancos vermelhos como uma estratégia de conscientização e reeducação -Foto: Divulgação Polícia Penal
Agressores trabalharam na confecção dos bancos vermelhos como uma estratégia de conscientização e reeducação -Foto: Divulgação Polícia Penal

Em outubro de 2025, o Presídio Regional de Santa Cruz do Sul, vinculado à 8ª Delegacia Penitenciária Regional (DPR), confeccionou um banco a partir do termo de cooperação firmado com a Marcenaria Mestre Carpinteiro. A peça integrou a exposição do estande da Polícia Penal durante a Oktoberfest. Em dezembro, a Penitenciária Modulada Estadual de Ijuí (PMEI), unidade vinculada à 3ª DPR, recebeu dois exemplares doados pelo Foro da Comarca de Ijuí, por intermédio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, passando a produzir réplicas que vêm sendo distribuídas para outras unidades prisionais.

Já em fevereiro deste ano, a Penitenciária Modulada de Montenegro, na 1ª DPR, o Instituto Penal de Uruguaiana, pertencente à 6ª DPR, e o Presídio Estadual de Canela (Pecanela), na 7ª DPR, instalaram os bancos, confeccionados por apenados das próprias unidades.

Recentemente, Pozzobom realizou a entrega de um banco vermelho à Delegacia de Polícia Especializada de Proteção à Mulher de Santa Maria, na 2ª Região Penitenciária. A peça foi produzida por apenados da PMEI, com madeira doada pela empresa Maden Embalagens, de Catuípe, por meio de termo de cooperação que oportuniza trabalho prisional a sete custodiados, com remição de pena.

Na semana passada, no Pecanela, foi concluída a produção de mais um exemplar do banco, o qual foi destinado ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania de Gramado. Outro mobiliário está sendo preparado para a Delegacia da Polícia Civil de São Francisco de Paula. Segundo a administração da unidade prisional, até o final do primeiro semestre deste ano, está prevista a fabricação de outros 20 assentos para a Prefeitura de Canela, utilizando materiais oriundos da Secretaria Municipal de Obras, os quais serão instalados em pontos turísticos e espaços públicos.

Na 4ª DPR, a marcenaria do Presídio Estadual de Iraí iniciará, em breve, a produção dos móveis, enquanto o Instituto Penal de Novo Hamburgo, também vinculado à 1ª DPR, encontra-se em fase de tratativas para a implementação do projeto.

Grupos reflexivos de gênero

Os grupos reflexivos de gênero são espaços educativos e de responsabilização para homens autores de violência doméstica, previstos na Lei Maria da Penha. No sistema prisional do Estado, as Centrais Integradas de Alternativas Penais (Ciaps), da Polícia Penal, contam com a parceria do Projeto Borboleta do Tribunal de Justiça, do Sistema Estadual de Administração Penitenciária (Seap) e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). A iniciativa tem como objetivo responsabilizar os agressores, buscando sua reeducação e, assim, prevenir futuras ocorrências.

Igualmente, os grupos reflexivos de gênero integram as estratégias de tratamento penal desenvolvidas nos estabelecimentos prisionais de regime fechado. Essas atividades são realizadas nas unidades prisionais sob a condução de analistas da Polícia Penal, com o objetivo de promover a responsabilização e a reflexão crítica acerca das questões de gênero e da violência contra a mulher. Dentre as unidades que desenvolvem essa iniciativa, destacam-se o Complexo Prisional de Canoas, na 1ª DRPP, e a PMEI, na 3ª DRPP.

Sobre Eles – perfil, diagnóstico e propostas de intervenção

A pesquisa “Sobre Eles – Perfil, diagnóstico e propostas de intervenção: painel de acompanhamento de autores de violência doméstica contra a mulher no sistema prisional do Rio Grande do Sul” vem sendo realizada sob a coordenação da professora Joice Nielsson, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí). O grupo de trabalho é composto pelo Departamento de Políticas Penais, pela Assessoria Técnica da SSPS e pelo Departamento Técnico e de Tratamento Penal da Polícia Penal.

A analista psicóloga e presidente do Comitê Gestor de Políticas de Atenção às Mulheres Privadas de Liberdade e Egressas no Sistema Prisional, Débora Ferreira, ressaltou que o trabalho está alinhado à missão da SSPS e da Polícia Penal de qualificar permanentemente a execução penal. Para tanto, são organizadas ações fundamentadas em evidências, capazes de promover responsabilização, prevenir a reincidência e fortalecer políticas públicas.

“Ao estruturarmos um painel de acompanhamento desses apenados, buscamos oferecer ao Estado e às instituições do sistema de justiça um instrumento técnico que contribua para intervenções mais eficazes, integradas e humanizadas. Com isso, reafirmamos o papel da Polícia Penal não apenas na custódia, mas também na produção de conhecimento estratégico para o aprimoramento das práticas institucionais”, completou Débora.

Texto: Andréia Moreno/Ascom Polícia Penal
Edição: Camila Cargnelutti/Secom