A Copa do Mundo sempre foi sinônimo de alegria, integração e união entre os povos. Assim foi ao longo da história e assim deveria ser na edição que será disputada entre México, Canadá e Estados Unidos. Porém, para variar, os norte-americanos parecem determinados a criar obstáculos que nada têm a ver com o espírito do futebol.
É claro que todo país tem o direito e o dever de cuidar de sua segurança. Ainda mais uma nação que está constantemente envolvida em conflitos internacionais. Mas uma coisa é segurança; outra é exagero. Interrogar um atleta iraniano durante nove horas ou impedir a entrada de um árbitro da Somália por questões relacionadas à situação política de seu país é, no mínimo, uma demonstração de desrespeito.
O árbitro somali integra o quadro da FIFA desde 2018 e foi eleito, em 2025, o melhor árbitro do continente africano. Atua em competições internacionais há anos sem qualquer registro de problema semelhante. Impedi-lo de exercer sua profissão justamente na maior competição do planeta é uma atitude incompatível com a mensagem de união que a Copa do Mundo representa.
Feio para os anfitriões. E uma mancha desnecessária em um evento que deveria aproximar pessoas, não criar barreiras.
A Federação Somaliana de Futebol divulgou uma nota manifestando indignação com a decisão americana. Em um trecho, afirma:
"Negar-lhe a entrada nos Estados Unidos e impedi-lo de arbitrar partidas agendadas prejudica não apenas sua pessoa, mas também mina o compromisso do futebol com a justiça, o mérito e o espírito do jogo limpo."
E as críticas não ficaram restritas à Somália. Diversos setores do esporte mundial condenaram as restrições impostas por autoridades americanas. Houve relatos de atletas submetidos a longas entrevistas e constrangimentos na imigração. Uma jornalista brasileira relatou ter sido obrigada a levantar os cabelos durante uma revista, procedimento que, segundo ela, não foi aplicado a outros passageiros.
Cidadãos de países considerados "hostis" pelo governo americano enfrentaram negativas de visto ou demoradas abordagens nas fronteiras. Talvez fosse o momento de baixar um pouco a guarda e compreender que a Copa do Mundo é um evento global, que exige acolhimento e respeito a todos os participantes.
Mas vamos falar de futebol.
A lesão do lateral-direito Wesley obrigou Carlo Ancelotti a fazer uma mudança na lista brasileira. Em vez de convocar outro jogador com características semelhantes, o treinador optou pelo volante Éderson, da Atalanta.
A decisão pode ser analisada por dois ângulos.
Por um lado, o Brasil perde profundidade e força ofensiva pelo lado direito. Wesley é um lateral que apoia bastante o ataque e sua ausência reduz essa característica.
Por outro, Ancelotti demonstra preocupação com o equilíbrio da equipe. Éderson é um jogador versátil, intenso e forte na marcação, algo que pode ser fundamental em uma Copa do Mundo onde o Brasil certamente enfrentará adversários de altíssimo nível.
Observando a força das seleções concorrentes, fica evidente que não basta atacar. Será necessário defender bem, pressionar, competir fisicamente e equilibrar todos os setores do campo. Vamos precisar criar, mas também marcar — e muito.
Outra movimentação que vejo com bons olhos é a entrada de Lucas Paquetá.
O meio-campo brasileiro ganha qualidade na articulação. Paquetá tem capacidade para se movimentar entre as linhas, abrir espaços para Vinícius Júnior e Raphinha e abastecer os homens de frente, algo que vinha faltando à Seleção.
Além da visão de jogo, possui uma característica cada vez mais rara: finaliza bem de média distância. Como dizia o saudoso Lédio Burigo:
"Chuta que o goleiro pode desmaiar."
Com Paquetá, o Brasil ganha criatividade sem perder competitividade.
Faltam apenas cinco dias para a estreia da Seleção Brasileira.
E logo de cara o desafio será contra uma equipe que evoluiu muito nos últimos anos e surpreendeu o mundo na última Copa. Não será um jogo simples.
A estreia sempre traz uma carga extra de ansiedade. Por isso, uma vitória logo na primeira rodada tem um peso enorme. Além dos três pontos, ajuda a dissipar a tensão natural do início da competição e abre caminho para a busca da liderança do grupo.
O Criciúma não apresentou o futebol que muitos esperavam. Isso é verdade.
Mas também é verdade que a Série B é uma competição extremamente equilibrada e traiçoeira. Nela, muitas vezes o desempenho fica em segundo plano diante da necessidade de pontuar.
Se tivesse dado espetáculo e não vencido, as críticas apareceriam da mesma forma. O futebol permite debates sobre atuação, mas a tabela não mente.
E nela, o que vale são os três pontos.
O Tigre venceu. E, numa Série B tão disputada, isso nunca é detalhe.
Sorte, Brasil.
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