Por Alexandre Garcia
A política externa brasileira volta ao centro do debate — e não exatamente por protagonismo. O Brasil ficou de fora de uma importante reunião internacional voltada à segurança regional, realizada em Miami e que reuniu cerca de uma dúzia de países das Américas para discutir estratégias conjuntas de combate ao narcotráfico e ao terrorismo.
Entre os participantes estavam lideranças como o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, além dos presidentes do Paraguai, Argentina, Bolívia e de Nayib Bukele, de El Salvador. O encontro discutiu a criação de um “escudo de segurança das Américas”, voltado ao enfrentamento de organizações criminosas e narcotraficantes que atuam no continente.
Um dos pontos debatidos no encontro foi a possibilidade de classificar organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas — entre elas o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho. Segundo informações que circulam nos bastidores diplomáticos, o governo brasileiro teria atuado para evitar essa classificação.
A ausência do Brasil nesse debate levanta questionamentos sobre os rumos da política externa nacional. Afinal, quando países da região discutem segurança continental, a maior nação da América Latina deveria estar presente — não apenas para defender seus interesses, mas também para participar da construção das soluções.
Ao mesmo tempo, o cenário político interno continua marcado por tensões institucionais. Nas últimas semanas, iniciativas de parlamentares e lideranças políticas têm ampliado o embate entre diferentes poderes da República.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, chegou a defender a abertura de um processo de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Já o senador Eduardo Girão apresentou representação no Conselho de Ética do Senado contra Davi Alcolumbre, enquanto o deputado Marcel van Hattem protocolou uma notícia-crime envolvendo decisões de ministros do Supremo.
Esses movimentos revelam um clima de crescente polarização institucional, com acusações, investigações e disputas políticas que ganham cada vez mais espaço no debate público.
Outro ponto sensível envolve investigações e vazamentos de informações ligados a personagens que transitam entre política, poder e interesses econômicos. A divulgação de mensagens e conversas privadas, em alguns casos, tem sido apontada como apenas o início de uma cadeia maior de revelações.
Para analistas, o problema não está apenas nos vazamentos em si, mas no que eles podem revelar sobre relações de influência, pressões e eventuais irregularidades dentro do sistema político e institucional.
Nesse contexto, cresce a discussão sobre transparência, responsabilidade pública e os limites do sigilo em investigações que envolvem figuras de alto escalão. Instituições como a Polícia Federal do Brasil e o Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil acabam se tornando peças centrais nesse tabuleiro.
O momento exige equilíbrio institucional, mas também clareza. Democracias se fortalecem quando as instituições funcionam com transparência, respeito à lei e fiscalização recíproca entre os poderes.
A grande questão, portanto, não é apenas quem está certo ou errado em cada episódio, mas se o país será capaz de transformar crises políticas em oportunidades para fortalecer suas instituições.
Porque, no fim das contas, o que está em jogo não é apenas um governo, um partido ou um grupo de poder — é a confiança dos brasileiros na própria República.
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