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Lula evita que PCC e CV sejam considerados terroristas

Coluna de Opinião

12/03/2026 16h36 Atualizada há 3 dias
Por: Redação Fonte: Alexandre Garcia
Lula evita que PCC e CV sejam considerados terroristas

Por Alexandre Garcia

 

A política externa brasileira volta ao centro do debate — e não exatamente por protagonismo. O Brasil ficou de fora de uma importante reunião internacional voltada à segurança regional, realizada em Miami e que reuniu cerca de uma dúzia de países das Américas para discutir estratégias conjuntas de combate ao narcotráfico e ao terrorismo.

Entre os participantes estavam lideranças como o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, além dos presidentes do Paraguai, Argentina, Bolívia e de Nayib Bukele, de El Salvador. O encontro discutiu a criação de um “escudo de segurança das Américas”, voltado ao enfrentamento de organizações criminosas e narcotraficantes que atuam no continente.

Um dos pontos debatidos no encontro foi a possibilidade de classificar organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas — entre elas o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho. Segundo informações que circulam nos bastidores diplomáticos, o governo brasileiro teria atuado para evitar essa classificação.

A ausência do Brasil nesse debate levanta questionamentos sobre os rumos da política externa nacional. Afinal, quando países da região discutem segurança continental, a maior nação da América Latina deveria estar presente — não apenas para defender seus interesses, mas também para participar da construção das soluções.

Ao mesmo tempo, o cenário político interno continua marcado por tensões institucionais. Nas últimas semanas, iniciativas de parlamentares e lideranças políticas têm ampliado o embate entre diferentes poderes da República.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, chegou a defender a abertura de um processo de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Já o senador Eduardo Girão apresentou representação no Conselho de Ética do Senado contra Davi Alcolumbre, enquanto o deputado Marcel van Hattem protocolou uma notícia-crime envolvendo decisões de ministros do Supremo.

Esses movimentos revelam um clima de crescente polarização institucional, com acusações, investigações e disputas políticas que ganham cada vez mais espaço no debate público.

Outro ponto sensível envolve investigações e vazamentos de informações ligados a personagens que transitam entre política, poder e interesses econômicos. A divulgação de mensagens e conversas privadas, em alguns casos, tem sido apontada como apenas o início de uma cadeia maior de revelações.

Para analistas, o problema não está apenas nos vazamentos em si, mas no que eles podem revelar sobre relações de influência, pressões e eventuais irregularidades dentro do sistema político e institucional.

Nesse contexto, cresce a discussão sobre transparência, responsabilidade pública e os limites do sigilo em investigações que envolvem figuras de alto escalão. Instituições como a Polícia Federal do Brasil e o Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil acabam se tornando peças centrais nesse tabuleiro.

O momento exige equilíbrio institucional, mas também clareza. Democracias se fortalecem quando as instituições funcionam com transparência, respeito à lei e fiscalização recíproca entre os poderes.

A grande questão, portanto, não é apenas quem está certo ou errado em cada episódio, mas se o país será capaz de transformar crises políticas em oportunidades para fortalecer suas instituições.

Porque, no fim das contas, o que está em jogo não é apenas um governo, um partido ou um grupo de poder — é a confiança dos brasileiros na própria República.

Alexandre Garcia
Sobre Alexandre Garcia
Alexandre Eggers Garcia é um jornalista, apresentador e comentarista político brasileiro, nascido em 11 de novembro de 1940, na cidade de Cachoeira do Sul. Com uma longa trajetória na imprensa nacional, tornou-se um dos nomes mais conhecidos do jornalismo político no Brasil. Formado em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, iniciou sua carreira ainda jovem no rádio, inspirado pelo pai, que também era radialista. Ao longo das décadas seguintes, construiu uma carreira marcada por atuação em importantes veículos de comunicação. Garcia trabalhou em veículos como o Jornal do Brasil e a TV Manchete, mas ganhou projeção nacional principalmente durante mais de 30 anos na Rede Globo. Na emissora, foi diretor de jornalismo em Brasília e, posteriormente, comentarista político em programas como o Bom Dia Brasil, onde analisava os principais acontecimentos da política brasileira até 2018. Além do trabalho na televisão, Alexandre Garcia também atuou como porta-voz do presidente João Figueiredo durante o final do regime militar. Depois de deixar a Globo, continuou atuando como colunista, comentarista em rádios e produtor de conteúdos de análise política em diferentes plataformas de comunicação. Com décadas de experiência na cobertura política em Brasília, Alexandre Garcia consolidou-se como um dos mais conhecidos comentaristas do país, mantendo presença em jornais, rádios e veículos digitais com análises sobre política, economia e acontecimentos nacionais.
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