Santa Catarina em 2026: a batalha pelo Palácio da Casa d’Agronômica e pelas duas cadeiras do Senado
A cada quatro anos o mapa político catarinense se redesenha, mas o próximo pleito tem tudo para ser especialmente decisivo. As Eleições de 2026 vão decidir quem governará o estado, quais dois dos três senadores representarão a população no Congresso e como o tradicional “corte de centro‑direita”‑líder vai conciliar os interesses internos da direita com a pressão nacional de um governo Lula em busca de reeleição.
Em 2022, Jorginho Mello (PL) venceu o segundo turno com 70,79 % dos votos válidos, derrotando o PT Décio Lima (28,24 %) . Essa vitória consolidou o PL como força dominante no estado – o partido elegeu 6 dos 16 deputados federais (37,5 %) e 11 das 40 cadeiras da Assembleia Legislativa (27,5 %) . A composição da Alesc hoje ainda reflete o reforço da direita: PL 11, MDB 6, PT 4, UNIÃO 3, PP 3, PSD 3, PODE 3, PSDB 2, dentre os demais 10 camaristas
Jorginho Mello ainda não confirmou a candidatura, mas todas as indicações apontam para a reeleição. Pesquisas de domingo e segunda‑feira de dezembro mostram Mello à frente dos cenários analisados, com 41,5 % (cenário 1) e 46,3 % (cenário 2). Sua aprovação institucional gira em torno de 75 % , o que lhe dá margem para buscar a maioria no primeiro turno.
O PL deverá equilibrar duas pressões: a) manter o apoio de partidos que compõem o governo – União Brasil, Progressistas (PP) e o recém‑formado bloco da federação União Brasil + Progressistas – b) gerir a disputa interna da ala bolsonarista, que tem no filho de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, um forte candidato ao Senado . Essa necessidade de “conciliar interesses” já se traduz em discussões sobre a composição da chapa de vice‑governador e dos dois cargos senatorial.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, Esperidião Amin (PP) e Ivete da Silveira (MDB) terão seus mandatos encerrados em 2027, o que abre duas vagas para 2026. Os nomes que já despontam são:
| Candidato | Partido | Observação |
|---|---|---|
| Caroline De Toni | PL | Deputada federal com maior intenção de voto |
| Carlos Bolsonaro | PL | Filho de Jair Bolsonaro, indicado pelo ex‑presidente |
| Esperidião Amin | PP | Incumbente que confirmou intenção de reeleição |
| Gilson Marques | Novo | Deputado federal, também na disputa |
| Décio Lima (PT) | PT | Líder do PT na corrida, espelhando a estratégia para o governo |
A disputa está, portanto, entre a ala bolsonarista (Caroline De Toni, Carlos Bolsonaro) e a tradicional direita institucional (Amin, Novo), com o PT tentando ocupar a terceira vaga. O PL ainda não decidiu se formará uma “chapa pura” ou dividirá as duas vagas entre o próprio candidato e Amin.
Esses indicadores compõem o “kit de governo” de Mello: sustentação do agronegócio, expansão do turismo e investimentos robustos na saúde. Para a oposição, a crítica será a concentração de recursos nas áreas rurais e a necessidade de aprofundar políticas públicas nas cidades (habitação, mobilidade, segurança).
O estado tornou‑se um reduto da direita nos últimos ciclos eleitorais, mas a consolidação desse bloco vem acompanhada de “conflitos internos” que dificultam a coordenação de estratégias. A disputa por duas cadeiras senatoriais entre três nomes fortes (Caroline De Toni, Carlos Bolsonaro, Amin) cria risco de fragmentação do voto bolsonarista , ao passo que o PL pode perder influência se não conseguir articular uma aliança que inclua o MDB (Silveira) ou o PP (Amin).
| Cenário | Governador | Senado | Comentário |
|---|---|---|---|
| Reeleição de Mello (PL) – vitória no primeiro turno | Jorginho Mello (PL) | Caroline De Toni (PL) e Esperidião Amin (PP) ou Carlos Bolsonaro (PL) | Consolidaria o domínio do PL; Mello precisará pactuar com Amin (PP) para o vice‑governador e aceitar a presença de Bolsonaro no Senado . |
| Giro de centro‑direita – runoff | Jorginho Mello (PL) x João Rodrigues (PSD) | Caroline De Toni (PL) + Esperidião Amin (PP) ou Gilson Marques (Novo) | Um segundo turno poderia abrir espaço para a bancada do PSD (Rodrigues) e gerar negociação de cargos de vice e senatorial. |
| Avanço da esquerda – vitória PT | Décio Lima (PT) – possivelmente em 2º turno | Caroline De Toni (PL) + Gilson Marques (Novo) ou Décio Lima (PT) (senador) | O PT alavancaria a agenda de saúde e educação, mas precisaria formar alianças com PSOL/PCdoB para alcançar maioria. |
| Divisão da direita – múltiplos candidatos | Mello ou Rodrigues (sem maioria) – runoff | Amin, Caroline De Toni, Carlos Bolsonaro (três candidatos) – segundo turno | A dispersão de votos poderia favorecer um candidato de centro‑esquerda (Lima) ou um acordo de coalizão no segundo turno. |
Santa Catarina entra em 2026 com um eleitorado ainda fortemente alinhado à direita, mas a própria força da direita está em teste. O governador Jorginho Mello tem números de intenção que sugerem boa chance de reeleição, mas sua vitória dependerá de como o PL negociará a aliança com o PP (Amin) e com a ala bolsonarista (Caroline De Toni / Carlos Bolsonaro). Ao mesmo tempo, a disputa pelos dois senadores coloca em risco a unidade da direita: a escolha entre Caroline De Toni (favorecida nas pesquisas) e Carlos Bolsonaro pode definir se o PL consolidará ou perderá sua hegemonia no Senado catarinense.
Para os eleitores, a pauta será menos sobre quem está no palanque e mais sobre qual modelo de desenvolvimento será mantido: um agronegócio reforçado e turismo em alta, mas com desafios de saúde pública e infraestrutura; ou um projeto de governo que privilegie políticas sociais, saúde mental e investimento urbano, como propõe o PT.
Em resumo, 2026 promete ser o teste de durabilidade da hegemonia bolsonarista em Santa Catarina. Se o PL conseguir articular seus diferentes fragmentos, o estado permanecerá como bastião da direita; se a fragmentação prevalecer, a esquerda – ainda que em número reduzido – poderá emergir como força de oposição relevante, moldando a agenda estadual para o próximo quinquênio.
Mín. 20° Máx. 30°
Mín. 20° Máx. 30°
Chuvas esparsasMín. 18° Máx. 31°
Tempo limpo
Daniel Capiotti Um legado de 2022 ainda em cena
Igor de Jesus De Balneário Rincão para o mundo: Felipe Rosa desponta como promessa brasileira no MMA
Alexandre Garcia PEC que pode acabar com aposentadoria como punição
Carlos Alberto Fiorenza Sem brilho, mas com resultado: Criciúma começa a mudar de cara