O Futebol Catarinense tem um novo protagonista. O título do Campeonato Catarinense conquistado pelo Barra Futebol Clube diante da Associação Chapecoense de Futebol não foi apenas uma vitória dentro de campo — foi um sinal claro de que o cenário do nosso futebol estadual está mudando.
A Chapecoense venceu o jogo da volta por 1 a 0, na Arena Condá, empurrada pela força de sua torcida. Mas futebol é feito de dois jogos, e o Barra soube construir sua vantagem quando teve a oportunidade. A vitória por 3 a 1 no primeiro confronto foi decisiva e mostrou a maturidade de um time que entrou na final preparado para fazer história.
Na minha visão, o Barra foi campeão porque teve organização, confiança e, principalmente, coragem para enfrentar um clube tradicional do estado. Não é fácil encarar a Chapecoense em Chapecó, muito menos em uma final. Mesmo assim, o time segurou a pressão e confirmou um título que ficará marcado na história do clube.
Para a Chapecoense, fica a reflexão. A equipe mostrou reação e vontade no segundo jogo, mas faltou eficiência no momento em que mais precisava. Em finais, cada detalhe pesa — e o primeiro jogo acabou sendo determinante.
O que fica dessa decisão é um recado importante: o futebol catarinense está mais equilibrado. Clubes emergentes estão mostrando força, investimento e organização. E isso é bom para o campeonato, para os torcedores e para o crescimento do esporte no estado.
No fim das contas, o Barra não apenas levantou a taça. Levantou também a bandeira de uma nova fase do futebol em Santa Catarina.
Criciúma Esporte Clube
Criciúma tem um desempenho sólido (5‑4‑2), um ataque que já tem um “cabeça de rede” (Nicolas) e uma diretoria que pensa estrategicamente (criatividade de mercado, renegociação inteligente de dívidas). Contudo, a sua ambição de título e acesso exige mais profundidade – sobretudo na área ofensiva e na posição de goleiro – além de manutenção da disciplina financeira.
Se a equipe conseguir converter a proposta de “escolhidos a dedo” em contratações que façam diferença imediata, o Tigre tem boas chances de subir à Série A. Caso contrário, o risco de ficar “preso no meio‑terço” da Série B pode se transformar em um ciclo de empréstimos e renegociações que atrasa o crescimento.
A próxima metade da temporada será decisiva: cada ponto, cada transferência e cada decisão de orçamento contarão para definir se 2026 será lembrado como a primavera do Tigre ou como mais um capítulo de “quase lá”.
Daniel Capiotti – Colunista Esportivo
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