Os chamados big law, que são os grupos dos maiores e mais rentáveis escritórios de advocacia dos Estados Unidos, estão entre os segmentos mais competitivos e bem remunerados do mercado jurídico global. Com estruturas que reúnem milhares de advogados, faturamento bilionário e atuação em operações transnacionais, essas bancas disputam alunos nas principais faculdades de Direito do país e oferecem salários iniciais que estão entre os mais altos do mercado corporativo americano.
No último ano, o salário-base para advogados recém-formados nos grandes escritórios de Nova York e Washington, D.C., atingiu US$ 225 mil anuais, segundo tabelas salariais divulgadas pelo setor jurídico. Um valor que não inclui os bônus, uma prática comum nas grandes bancas.
Em contrapartida, a jornada vem acompanhada de pressão por desempenho e prazos apertados. Uma parte relevante da semana é consumida por trabalho diretamente ligado a casos e projetos de clientes. Além disso, há as rotinas internas, treinamentos, atividades de gestão, além do volume permanente de e-mails, tarefas administrativas e ações de relacionamento, uma carga semanal que pode variar entre 60 e 70 horas.
A contratação nessas empresas é concentrada em um conjunto relativamente pequeno de faculdades de Direito (law schools) e segue um funil estruturado, que inclui programas formais de recrutamento e de estágios de verão remunerado que funcionam como período probatório.
Foi assim com a brasileira Mariana Amaral, que se graduou em Direito no Brasil e hoje é associada do Hogan Lovells, que está entre os 15 maiores do mundo em faturamento. Aluna da Emory University School of Law, em Atlanta, na Geórgia, durante o primeiro verão, ela participou do processo seletivo de alguns escritórios, recebeu quatro ofertas e escolheu a firma onde hoje atua, em Washington, D.C. "O verão é um laboratório real. Você passa por todas as equipes, recebe retornos rápidos e aprende a priorizar", afirma.
Advogados formados no exterior, como Mariana, possuem duas opções para atuar profissionalmente nos EUA. A primeira é cursar o Master of Laws (LL.M.), pós-graduação de um ano voltada à especialização, bastante escolhida por estrangeiros para adaptar a formação ao mercado americano e ampliar a rede de contatos. O custo varia por instituição e cidade, mas em escolas de ponta o valor da anuidade (tuition) pode variar de US$ 70 mil a US$ 85 mil por ano, sem contar taxas de moradia e despesas do dia a dia.
A segunda rota é seguir o caminho padrão da formação americana, o Juris Doctor (JD), programa de três anos que costuma ser o principal trilho de recrutamento para grandes escritórios e que insere o candidato no mesmo circuito de seleção dos estudantes locais. Essa foi a trilha escolhida por Mariana, que optou por refazer a formação jurídica completa nos Estados Unidos para aumentar as chances de entrar na elite da advocacia do país. "Eu queria competir no mercado americano com a mesma régua dos americanos", conta.
Em termos de custo, o JD é a alternativa mais cara. Considerando todo o período, o aluno pode ter que desembolsar entre US$ 46 mil e US$ 80 mil/ano apenas de anuidade. Somando ainda as despesas com o custo de vida, o valor total estimado pode chegar a US$ 217 mil ao longo do curso. "Sem organização financeira e cronograma de estudos, a jornada fica pesada demais", afirma a brasileira, ressaltando que é possível recorrer a modelos de financiamento que combinam bolsas parciais e crédito estudantil.
O modelo econômico dos grandes escritórios americanos se apoia em honorários elevados e em operações como fusões e aquisições, reestruturações, mercado de capitais e disputas regulatórias. A produtividade é medida em horas faturáveis, que é o tempo de trabalho dedicado exclusivamente a casos ou projetos de clientes, cobrado e pago diretamente por eles. A progressão na carreira depende de desempenho técnico, capacidade de captação e avaliações periódicas. "Escrita pesa muito na contratação e na progressão. Não basta saber o conteúdo. É preciso entregar tudo de maneira clara e no prazo", afirma Mariana.
A exigência técnica se combina com uma cultura de treinamento intensivo e avaliação constante. Jovens associados costumam atuar em processos de investigação e auditoria (due diligence), análise contratual, matrizes de risco e estruturação de operações multilaterais. Para estrangeiros, o desafio inclui a adaptação ao sistema de common law (sistema jurídico baseado em precedentes) e ao estilo de redação jurídica americano. "O nível de responsabilidade é alto desde o início. Você participa de transações que movimentam bilhões. A fluência em dois sistemas jurídicos ajuda em operações internacionais. Traduzir esses conceitos evita ruídos e economiza tempo no negócio", diz a advogada brasileira.
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