A região do bairro Progresso, em Criciúma, voltou ao centro das atenções nos últimos dias após a repercussão de uma sátira feita pelo humorista Léo Lins, que ironizou o nome e a realidade da localidade em vídeo divulgado antes de apresentação na cidade. Pouco tempo depois, a Prefeitura promoveu uma força-tarefa de limpeza urbana na área, em uma ação que reuniu servidores, voluntários e moradores.
O mutirão ocorreu dentro do programa “Criciúma, quem ama cuida”, com concentração no cruzamento das ruas Líbano José Gomes e Paulo Freire. Segundo a administração municipal, durante a semana já haviam sido executados serviços como roçada, varrição, pintura de meio-fio, poda de árvores e manutenção de espaços públicos, enquanto o sábado foi voltado ao recolhimento de entulhos e materiais inservíveis.
De acordo com balanço divulgado após a mobilização, a ação recolheu cerca de 1,5 tonelada de resíduos no bairro Progresso. O número reforça um problema antigo enfrentado por moradores da região: o descarte irregular de lixo, a falta de manutenção contínua e a sensação de abandono em pontos específicos da comunidade.
A coincidência entre a repercussão do vídeo e a ofensiva de limpeza inevitavelmente gerou comentários nos bastidores políticos e nas redes sociais. Para parte da população, a ação mostra que a exposição pública de problemas urbanos acaba acelerando respostas do poder público. Para outros, o caso escancara uma realidade desconfortável: muitas vezes, a solução só chega quando a situação vira constrangimento público.
A Prefeitura, por sua vez, sustenta que a iniciativa já fazia parte do cronograma do Gabinete Itinerante e do programa municipal de zeladoria urbana, que nesta etapa atendeu nove bairros da região da Cidade Mineira, incluindo o Progresso. A gestão afirma que o objetivo é aproximar os serviços públicos das comunidades e reforçar a conscientização sobre preservação dos espaços urbanos.
Mesmo assim, a situação abriu espaço para um debate mais profundo em Criciúma: se a cidade quer evitar virar alvo de chacota, não basta agir apenas quando o problema ganha visibilidade. O desafio está em transformar mutirões pontuais em manutenção permanente, especialmente em bairros que historicamente cobram mais presença do poder público.
No fim das contas, a limpeza no bairro Progresso pode até ter ajudado a melhorar a imagem da região no curto prazo. Mas a cobrança que fica é outra: a Prefeitura vai manter o cuidado depois que os holofotes forem embora?
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