Tem muito torcedor metendo o pau em rádio, jornalista, comentarista, jogador, treinador e diretoria. Só que também precisamos reconhecer uma coisa: parte da própria imprensa acaba alimentando esse ambiente quando transforma análise em terra arrasada.
Criticar faz parte. Rádio esportiva existe para analisar, cobrar, questionar e apontar os erros. Jornalista não tem obrigação de passar a mão na cabeça de ninguém.
Mas existe uma diferença enorme entre fazer crítica esportiva e criar a sensação de que tudo acabou quando ainda existe campeonato pela frente.
E o torcedor entra nessa mesma responsabilidade.
Depois de uma derrota, aparecem comentários dizendo que “acabou”, que “não sobe mais”, que “ninguém presta”. Começam os ataques nas redes sociais, nas rádios e contra quem pensa diferente.
Mas será que esse é o momento?
O Criciúma pode estar devendo futebol. Pode ter cometido erros. Pode e deve ser cobrado. Mas enquanto existir possibilidade dentro da tabela, o campeonato precisa ser disputado até o último minuto.
É justamente agora que conhecemos o verdadeiro torcedor.
Porque quando o time está ganhando, é fácil aparecer com a camisa, comemorar e dizer que sempre acreditou.
Quero ver agora.
Quero ver depois de uma derrota.
Quero ver quando o time precisa entrar no Heriberto Hülse pressionado e encontra uma arquibancada empurrando em vez de decretando antecipadamente o fracasso.
E aqui também fica um chamado para nós da imprensa: temos responsabilidade sobre aquilo que colocamos no ar.
Precisamos cobrar? Sim.
Precisamos apontar erros? Sempre.
Mas também precisamos ter equilíbrio. Uma coisa é dizer que o time jogou mal. Outra é transformar cada tropeço numa crise definitiva.
Da mesma forma, o torcedor pode discordar da rádio, do comentarista e do jornalista. Faz parte do futebol. O que não dá é transformar divergência em ataque pessoal.
Nesta reta final, todo mundo será colocado à prova: jogadores, comissão técnica, diretoria, imprensa e torcida.
Porque apoiar não significa fechar os olhos para os erros.
Apoiar é cobrar sem abandonar.
E talvez seja exatamente agora que vamos descobrir quem estava apenas comemorando a boa fase e quem realmente carrega o Criciúma no coração.
O campeonato ainda está sendo jogado.
Portanto, antes de decretar o fim, antes de destruir tudo nas redes sociais e antes de transformar rádio, imprensa ou jogador em inimigo, existe uma coisa muito mais importante:
deixar o Criciúma decidir seu destino dentro de campo.
No final, haverá tempo para cobrar, analisar e apontar responsabilidades.
Mas enquanto a bola estiver rolando, o verdadeiro carvoeiro continua junto do Tigre.
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