Santa Catarina caminha para 2026 com um cenário que, à primeira vista, parece confortável para a direita. O estado segue sendo um dos principais redutos conservadores do país, com eleitorado majoritariamente alinhado a pautas de segurança pública, agronegócio, liberdade econômica, empreendedorismo e discurso de enfrentamento à esquerda. Mas, nos bastidores, um risco real começa a ganhar forma: a direita pode perder força justamente por excesso de força.
A multiplicação de pré-candidaturas no mesmo campo ideológico ameaça abrir uma disputa interna que pode mudar completamente o rumo da eleição ao Governo do Estado. E o alerta é claro: quando a direita se divide, a vitória deixa de ser automática e passa a depender de cálculo político, articulação e sobrevivência eleitoral.
O problema central não está na falta de nomes. Pelo contrário. Santa Catarina vive hoje um momento em que há mais de uma liderança com densidade eleitoral, estrutura partidária, base regional e capacidade de mobilização. O que, em tese, parece uma demonstração de força, na prática pode se tornar um problema.
Quando dois ou três candidatos falam para o mesmo eleitor, disputam o mesmo sentimento político e vendem o mesmo discurso, o resultado costuma ser um só: fragmentação.
E fragmentar votos em uma eleição majoritária é abrir espaço para surpresas.
A direita catarinense pode até seguir liderando pesquisas, mas isso não significa domínio absoluto. Se os votos conservadores forem repartidos entre diferentes candidaturas, o cenário muda. Um nome que poderia chegar forte e isolado ao segundo turno pode acabar enfraquecido. E um adversário que parecia secundário pode crescer justamente no vácuo da divisão.
Na prática, a eleição de 2026 em Santa Catarina corre o risco de sair do campo simbólico e entrar no terreno mais cruel da política: a matemática eleitoral.
Não basta ter discurso forte, presença em redes sociais ou identificação com a base conservadora. Em uma disputa pulverizada, vence quem conseguir converter apoio em voto consolidado, ampliar alianças e sobreviver ao primeiro turno sem sangrar demais.
Esse é o ponto mais delicado.
Uma campanha entre nomes da mesma direita tende a ser mais dura do que parece. Porque não basta se diferenciar da esquerda — é preciso tirar voto de quem pensa parecido. E isso quase sempre leva a ataques, disputas por legitimidade, guerra de bastidores e confronto direto por quem representa “a verdadeira direita”.
Esse tipo de conflito costuma ter um efeito colateral perigoso: desgaste interno.
O primeiro turno pode até parecer uma fase de seleção natural dentro do campo conservador, mas o custo político dessa disputa pode ser alto demais.
Se a campanha virar uma guerra interna, o vencedor corre o risco de chegar ao segundo turno enfraquecido, carregando rejeição construída dentro da própria base. E esse talvez seja o maior erro estratégico que a direita catarinense pode cometer: trocar hegemonia por vaidade.
Porque, no fim das contas, o eleitor pode até ser conservador, mas também costuma ser pragmático. Ele quer força, viabilidade e sensação de vitória. Quando percebe divisão, disputa desorganizada e excesso de ego, parte desse eleitorado pode simplesmente migrar para um nome mais estável, menos conflagrado e mais “seguro” politicamente.
Outro fator que tende a influenciar diretamente o jogo é a geografia política de Santa Catarina.
O estado tem comportamento eleitoral fortemente regionalizado. Há lideranças que dominam o Oeste, outras que têm força no Sul, no Norte ou na Grande Florianópolis. Isso significa que a eleição não será decidida apenas por narrativa ideológica, mas também por capilaridade, estrutura e presença territorial.
Em outras palavras: não basta incendiar a militância; é preciso ocupar o mapa.
Um nome pode ser muito forte nas redes e ter enorme identificação com a base conservadora, mas ainda assim enfrentar dificuldades se não conseguir romper a própria bolha regional. E em um cenário de divisão, isso pesa ainda mais.
Em Santa Catarina, qualquer eleição estadual passa, inevitavelmente, pelo termômetro do bolsonarismo. O estado continua sendo um dos mais identificados com esse campo político no país, e o apoio — ou a disputa por esse apoio — pode ser determinante.
Mas há uma armadilha nisso.
Se mais de um candidato tentar monopolizar o eleitor bolsonarista, o resultado pode ser uma batalha de identidade sem vencedor claro. E, nesse caso, o apoio simbólico deixa de ser suficiente. O que passa a contar é quem consegue transformar afinidade ideológica em musculatura política real.
O eleitor conservador de Santa Catarina não costuma premiar apenas quem fala mais alto. Muitas vezes, ele escolhe quem parece mais preparado para ganhar.
E esse detalhe pode ser fatal para candidaturas que apostarem apenas na emoção, sem combinar isso com articulação, estrutura e costura política.
Se a direita insistir em uma disputa desorganizada e excessivamente personalista, o maior beneficiado pode não ser a esquerda — mas sim um nome de centro, ou de centro-direita, que consiga vender estabilidade, equilíbrio e capacidade de diálogo.
Essa é a grande ironia do processo: um campo político majoritário pode perder protagonismo sem deixar de ser maioria.
Ou seja, a direita pode continuar sendo o maior sentimento político do eleitor catarinense e, ainda assim, correr riscos concretos se não conseguir organizar sua própria casa.
A eleição em Santa Catarina não deve ser decidida apenas por carisma, barulho ou presença digital. Vai vencer quem entender que política majoritária não se ganha apenas no grito — se ganha na soma.
Soma de partidos.
Soma de lideranças.
Soma de regiões.
Soma de interesses.
Soma de viabilidade.
E é exatamente nesse ponto que a direita catarinense precisará decidir o que quer ser em 2026: um campo forte e unido, ou uma coleção de candidaturas competitivas que podem acabar se anulando.
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