Sexta, 02 de Outubro de 2026
(48) 99195-0093
Sociedade Sociedade

EUA x China pode motivar ciberespionagem na América Latina

ESET identificou 90% dos alvos do FamousSparrow na região entre meados de 2025 e 2026; Brasil não aparece na campanha recente, mas já esteve entre os países atingidos pelo grupo.

02/10/2026 18h03
Por: Redação Fonte: Agência Dino
Magnific
Magnific

A crescente disputa entre China e Estados Unidos por influência na América Latina pode estar se estendendo ao campo da ciberespionagem. Uma nova investigação da ESET identificou que o FamousSparrow, grupo de cibercriminosos ligado à China, passou a concentrar quase todas as suas operações recentes na região: entre meados de 2025 e 2026, 90% dos alvos registrados pela empresa estavam em países latino-americanos.

Desde agosto de 2025, o grupo vem usando uma nova ferramenta de espionagem digital, chamada SparroWocky, contra entidades governamentais da Argentina, Equador, Guatemala, Honduras, Panamá, Peru, Porto Rico e Venezuela. Para a ESET, a escolha dos alvos demonstra um padrão e é possível que a operação possa ter como objetivo acompanhar decisões de governos locais em um momento de maior pressão dos Estados Unidos sobre a região e de risco para investimentos estratégicos chineses.

"A ciberespionagem permite acompanhar movimentos políticos e econômicos antes que eles se tornem públicos. Ao acessar documentos, comunicações e redes governamentais, um grupo pode antecipar mudanças regulatórias, negociações e decisões sobre ativos estratégicos. O que chama atenção nessa campanha é justamente a combinação entre o perfil das vítimas, o momento geopolítico e a concentração inédita de alvos na América Latina", explica Jonathan Ramos, pesquisador de segurança da ESET Brasil.

Governos e ativos estratégicos no centro da disputa

A ESET relaciona a mudança de foco do FamousSparrow à retomada mais agressiva dos interesses norte-americanos na América Latina durante o segundo mandato de Donald Trump. Ao mesmo tempo, a China acumulou, ao longo da última década, investimentos em setores como energia, mineração e telecomunicações, áreas que ganharam peso na competição entre as duas potências.

Um dos casos analisados reforça essa hipótese. No Panamá, uma das entidades atacadas estava diretamente envolvida na disputa em torno de dois importantes portos na área do Canal do Panamá, até então operados por uma empresa sediada na China. A concessão havia sido questionada pelo governo panamenho no início de 2025. Para a equipe de pesquisa, é provável que a operação buscasse obter informações antecipadas sobre as intenções das autoridades locais.

"Esse tipo de operação não busca necessariamente causar uma interrupção imediata ou tornar o ataque visível. O valor está em observar silenciosamente: saber como um governo pretende agir, quais empresas serão afetadas, que acordos estão em negociação e como um país responderá às pressões externas. Em cenários como esse, informação estratégica pode se transformar em vantagem política e econômica", afirma Ramos.

Por que o alerta também importa ao Brasil

O Brasil não aparece entre os países atingidos pela campanha atual com o SparroWocky, mas já esteve entre os alvos do próprio FamousSparrow. Em 2021, uma investigação da ESET identificou vítimas do grupo no país, além de organizações governamentais e privadas em outras partes do mundo. Naquele período, os criminosos exploravam falhas conhecidas em sistemas expostos à internet para entrar nas redes e manter acesso aos ambientes comprometidos.

O histórico ganha relevância diante da posição do Brasil nas relações entre China e Estados Unidos e da importância do país em setores disputados pelas duas potências, como energia, mineração, infraestrutura e telecomunicações. Embora não exista evidência de uma nova vítima brasileira, a concentração regional indica que decisões tomadas por governos e empresas latino-americanas passaram a despertar maior interesse de grupos de espionagem.

"Não há indicação de que o Brasil faça parte desta campanha recente, e essa distinção é importante. Ao mesmo tempo, o grupo já atuou no país e agora demonstra uma prioridade clara pela América Latina. Isso significa que órgãos públicos e organizações que participam de setores estratégicos precisam considerar a ciberespionagem como um risco de negócio e de Estado, não apenas como um problema técnico", destaca Ramos.

Uma ferramenta criada para observar sem ser percebida

O SparroWocky funciona como uma porta de entrada secreta no computador comprometido. Depois de instalado, permite aos invasores executar comandos, localizar e retirar arquivos, capturar telas e coletar informações sobre a rede e os usuários. Também foi desenvolvido para dificultar sua identificação por ferramentas de segurança e pode receber novas funções durante a operação.

Para reduzir a exposição, a ESET recomenda manter atualizados os sistemas acessíveis pela internet, mapear serviços externos, adotar autenticação multifator em contas sensíveis, limitar privilégios administrativos, segmentar redes e monitorar comportamentos incomuns. Em ataques voltados à espionagem, pequenas alterações — como a criação de serviços, conexões externas inesperadas ou movimentação entre máquinas — podem ser os primeiros sinais de uma presença silenciosa.

Criciúma, SC
Atualizado às 17h01
15°
Tempo nublado

Mín. 12° Máx. 16°

15° Sensação
2.02 km/h Vento
78% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (03/10)

Mín. 10° Máx. 25°

Parcialmente nublado
Domingo (04/10)

Mín. 16° Máx. 21°

Chuva