
O Partido Liberal (PL) realizou uma reunião de emergência nesta terça-feira (27), em Brasília, após informações de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos. O encontro foi convocado pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, diante das repercussões políticas e jurídicas envolvendo o parlamentar.
A reunião aconteceu na sede do partido, no complexo Brasil 21, e contou com a participação de lideranças como o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, e o senador Efraim Filho (PL-PB).
Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, a viagem surpreendeu integrantes da direção do PL e aliados próximos, que não teriam sido informados antecipadamente sobre a decisão.
Após o encontro, Rogério Marinho declarou que não tinha informações confirmadas sobre a localização do senador. Segundo ele, o último contato com Flávio aconteceu na manhã desta terça-feira, quando o parlamentar enviou uma mensagem afirmando que pretendia descansar e conversar posteriormente.
Marinho também questionou as medidas judiciais determinadas contra Flávio Bolsonaro e afirmou compreender uma eventual decisão de deixar o Brasil com a família, embora tenha ressaltado que não havia sido comunicado sobre a viagem.
A movimentação ocorre após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes de Flávio Bolsonaro à Polícia Federal e proibir sua saída do território nacional.
O prazo para entrega dos documentos terminou nesta terça-feira sem que a determinação fosse cumprida. Diante disso, a Polícia Federal cancelou os passaportes do senador.
Reportagens do UOL e do Metrópoles, baseadas em fontes próximas à família Bolsonaro e ao governo norte-americano, apontam que o parlamentar seguiu em direção aos Estados Unidos. Entretanto, a localização exata e o trajeto utilizado ainda não haviam sido oficialmente esclarecidos.
Flávio é investigado em um inquérito envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro, mas nega ter cometido irregularidades. Apesar do descumprimento da determinação judicial, não havia mandado de prisão contra ele.
A situação ocorre apenas dois dias depois da derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito presidente da República no segundo turno realizado no domingo (25).
Além dos desdobramentos envolvendo o senador, dirigentes do PL discutiram a organização da bancada no Congresso Nacional e os próximos passos da oposição.
A reunião emergencial evidencia as incertezas enfrentadas pela legenda em um momento de reorganização política após o resultado das eleições presidenciais de 2026.