Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ganhou repercussão nacional nos últimos dias após revelar uma presença elevada de parasitas em exemplares de bonito-listado (Katsuwonus pelamis), espécie da família dos atuns comercializada em diferentes partes do mundo.
Dos 53 peixes analisados, 96% apresentaram algum tipo de parasita. A pesquisa científica foi publicada em março de 2026 na revista Ocean and Coastal Research. Os pesquisadores utilizaram inspeção visual, microscopia e microscopia eletrônica para identificar os organismos encontrados.
Um dos dados que mais chama atenção é que 31 dos 53 peixes, ou 58,5%, apresentavam parasitas no tecido muscular, justamente a parte do pescado destinada ao consumo. Ao todo, foram identificados 441 parasitas na musculatura, além de 596 no intestino e 408 no estômago dos animais examinados.
Entre os organismos encontrados estavam parasitas do gênero Anisakis, capazes de provocar problemas em seres humanos. A ingestão de larvas vivas pode causar a chamada anisakíase, associada a sintomas como dor abdominal, náusea, vômito e diarreia. O estudo também destaca que algumas pessoas podem apresentar reações alérgicas, inclusive graves.
Atenção: estudo não analisou sushi de restaurantes
Apesar de algumas publicações nas redes sociais afirmarem que “96% do atum usado em sushi no Brasil está contaminado”, essa interpretação não é correta.
A pesquisa avaliou uma amostra específica de apenas 53 exemplares de bonito-listado, capturados em 2019 e 2021. Os peixes foram encaminhados congelados ao Laboratório de Sanidade de Organismos Aquáticos da UFSC, em Florianópolis. Portanto, o estudo não analisou atum comprado em supermercados ou restaurantes japoneses de todo o Brasil e não permite concluir que 96% do sushi comercializado no país esteja contaminado.
O próprio estudo informa que o bonito-listado tem grande importância comercial e é utilizado principalmente pela indústria de conservas, embora também seja comercializado fresco ou congelado. No Brasil, é uma das espécies de atum mais abundantes.
Consumo de peixe cru exige cuidados
O Ministério da Saúde alerta que peixes e frutos do mar consumidos crus ou malcozidos podem transmitir doenças. Para quem opta pelo consumo cru, a recomendação geral é utilizar pescado que tenha passado por congelamento adequado, o que reduz o risco provocado por determinados parasitas.
A legislação brasileira também estabelece regras específicas. Quando houver infestação por parasitas da família Anisakidae, pescado destinado ao consumo cru deve ser submetido a tratamento capaz de eliminar o risco, incluindo congelamento a -20 °C por sete dias ou -35 °C por 15 horas, conforme o regulamento de inspeção de produtos de origem animal.
Os pesquisadores da UFSC ressaltam ainda a importância da evisceração rápida após a captura, porque algumas larvas inicialmente presentes nas vísceras podem migrar para a musculatura do peixe. A inspeção sanitária também é considerada fundamental para evitar que pescado inadequado chegue ao consumidor.
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