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Parasitas são encontrados em 96% de atuns analisados pela UFSC; estudo faz alerta para consumo cru em sushi.

Pesquisa analisou 53 exemplares de bonito-listado e encontrou parasitas inclusive na musculatura do peixe; resultado, porém, não significa que 96% do atum vendido no Brasil ou servido em sushi esteja contaminado

13/09/2026 11h42
Por: Redação Fonte: Redação
Parasitas são encontrados em 96% de atuns analisados pela UFSC; estudo faz alerta para consumo cru em sushi.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ganhou repercussão nacional nos últimos dias após revelar uma presença elevada de parasitas em exemplares de bonito-listado (Katsuwonus pelamis), espécie da família dos atuns comercializada em diferentes partes do mundo.

Dos 53 peixes analisados, 96% apresentaram algum tipo de parasita. A pesquisa científica foi publicada em março de 2026 na revista Ocean and Coastal Research. Os pesquisadores utilizaram inspeção visual, microscopia e microscopia eletrônica para identificar os organismos encontrados. 

Um dos dados que mais chama atenção é que 31 dos 53 peixes, ou 58,5%, apresentavam parasitas no tecido muscular, justamente a parte do pescado destinada ao consumo. Ao todo, foram identificados 441 parasitas na musculatura, além de 596 no intestino e 408 no estômago dos animais examinados. 

Entre os organismos encontrados estavam parasitas do gênero Anisakis, capazes de provocar problemas em seres humanos. A ingestão de larvas vivas pode causar a chamada anisakíase, associada a sintomas como dor abdominal, náusea, vômito e diarreia. O estudo também destaca que algumas pessoas podem apresentar reações alérgicas, inclusive graves. 

Atenção: estudo não analisou sushi de restaurantes

Apesar de algumas publicações nas redes sociais afirmarem que “96% do atum usado em sushi no Brasil está contaminado”, essa interpretação não é correta.

A pesquisa avaliou uma amostra específica de apenas 53 exemplares de bonito-listado, capturados em 2019 e 2021. Os peixes foram encaminhados congelados ao Laboratório de Sanidade de Organismos Aquáticos da UFSC, em Florianópolis. Portanto, o estudo não analisou atum comprado em supermercados ou restaurantes japoneses de todo o Brasil e não permite concluir que 96% do sushi comercializado no país esteja contaminado. 

O próprio estudo informa que o bonito-listado tem grande importância comercial e é utilizado principalmente pela indústria de conservas, embora também seja comercializado fresco ou congelado. No Brasil, é uma das espécies de atum mais abundantes. 

Consumo de peixe cru exige cuidados

O Ministério da Saúde alerta que peixes e frutos do mar consumidos crus ou malcozidos podem transmitir doenças. Para quem opta pelo consumo cru, a recomendação geral é utilizar pescado que tenha passado por congelamento adequado, o que reduz o risco provocado por determinados parasitas. 

A legislação brasileira também estabelece regras específicas. Quando houver infestação por parasitas da família Anisakidae, pescado destinado ao consumo cru deve ser submetido a tratamento capaz de eliminar o risco, incluindo congelamento a -20 °C por sete dias ou -35 °C por 15 horas, conforme o regulamento de inspeção de produtos de origem animal. 

Os pesquisadores da UFSC ressaltam ainda a importância da evisceração rápida após a captura, porque algumas larvas inicialmente presentes nas vísceras podem migrar para a musculatura do peixe. A inspeção sanitária também é considerada fundamental para evitar que pescado inadequado chegue ao consumidor. 

 

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